sábado, março 21, 2009

PALAVRAS DIGNAS DE UM REI


Enquanto descem as escadas da torre, Athertyssen vira-se para os seus companheiros com um ar incompleto, - "Eu sinto que tenho de falar para o povo, mas escapam-se-me as palavras, o meu pai decerto teria algo para dizer..." - Sarak coloca-se a seu lado, pondo-lhe a mão no ombro - "Eu lembro-me da primeira vez que ele falou comigo, eu tinha uma mensagem do meu mestre e ele recebeu-me, e apesar da presença dele me intimidar, ele transmitiu-me tranquilidade e falou comigo numa voz gentil... ele mostrou-me que como rei devia ser duro a liderar, mas no entanto também devia ser gentil com todos os seus leais servos, especialmente as crianças. Não te aflijas, está-te no sangue, tu saberás o que dizer!"
Já no pátio da fortaleza, Athertyssen vê o povo todo junto com uma expressão de medo e mau presságio.
"O momento chegou, assim parece... chegou o momento em que não iremos perder a esperança e iremos expulsar os invasores!" - As suas palavras não parecem causar grande entusiasmo entre a multidão, Ash e Bulkur entreolham-se perplexos.
"Mas não somos tão corajosos quando tu, meu príncipe..." - Athertyssen perscruta entre a multidão e vê um jovem rapaz com um ar triste e carrancudo, e então caminha até ele e coloca-lhe a mão no ombro - "Enganas-te, meu amigo... nos tempos que correm, estar vivo é um sinal de coragem! Tu, eu, a tua família, e todos os que aqui estão presentes... nós somos um! Lutaremos juntos e morreremos juntos se tiver que ser!" - As pessoas agora pararam tudo e estão cada vez mais atentas ao que diz Athertyssen - "Eu sou cada um de vós, que é em todos vocês que eu penso todos os dias, enquanto cada vez mais desejo acabar com a ameaça que se avizinha... e todos vocês são eu... vocês tornam possível que eu tenha esperanças... Eu quero conduzi-los à glória, à paz, à serenidade, se vocês o quiserem!" - Antes que pudesse dizer mais alguma coisa, o povo exulta de euforia e grita em uníssono, - "ATHERTYSSEN, O PRÍNCIPE GUERREIRO! VIVA! VIVA! VIVA!" - e os soldados erguem as espadas e as lanças no ar! Sarak sorri, com Sufranon poisado no seu ombro, - "Tal pai, tal filho..." - mas Sufranon permanece em silêncio e murmura algo em tom de suspiro, captando a atenção de Sarak, mas Sufranon decide continuar a falar para não se expor - "Tenho a certeza de que agora qualquer pai terá orgulho nos seus filhos...", deixando Sarak meio confuso - "Hmm, sim, certo..." - e dito isto o silêncio volta a instaurar-se entre a multidão, e Athertyssen nota que se abrem alas e um grupo de serventes liderados por Mankor dirigem-se a Athertyssen, e ajoelham perante ele.
"Meu príncipe, é com orgulho que vejo este dia chegar!" - os serventes abrem os baús com o selo da Casa de Numer, e mostram o seu conteúdo a Athertyssen, que sente o vento a guerrear com as lágrimas que agora lhe caiem dos olhos - "Hoje é um dia muito importante na tua vida...hoje serás coroado Rei!" - limpando-as a custo e observando os sorrisos de esperança da multidão, mas o que mais lhe dá uma sensação calorosa é o sorriso do rapazinho a quem se dirigiu, e retribui-lhe com o seu sorriso.
Agora o silêncio é total, e Mankor e cada servente o ajudam a vestir as vestes reais, e a colocar a armadura, e por fim ele coloca o anel real com o selo da Casa de Numer e sente pela primeira vez o punho da espada do seu pai.
Os soldados formam uma linha, ajoelhando e colocando as suas armas em frente, e vociferando a saudação ao seu rei, - "Meu Rei, as minhas armas estão à tua disposição, não serei digno de as empunhar se não vos puder servir, diz agora as palavras e combaterei até à morte!" - que os manda levantar saudando-os também, - "Erguei-vos, irmãos de armas! Vós sois os mais nobres dos guerreiros de Sarttar, juntos lutaremos pelo povo e pela justiça, contra a escuridão!" - seguindo de uma ovação do povo.
Nessa noite toda a população esqueceu-se da ameaça de Hyraktar e do Senhor das Sombras, apenas se festeja, mas no território sombrio de Hyraktar algo se prepara....

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