Sábado, Fevereiro 24, 2007

PESADELOS


De repente estão numa floresta os três, mas cada um encontra-se sozinho e procura pelos outros.
Ash cambaleia, tropeça nas raízes, e rasteja ofegante mas sempre com a vista nos céus, como se o terror lá habitasse. Sussuros sem corpo percorrem a floresta, acossando cada um deles , que se viram com a arma em punho e com um olhar esgazeado.
"Aaaaash... vem a miiiiiim...." - Ash larga as suas espadas e prostra-se de joelhos a tapar os ouvidos e a soluçar - "NÃO!!! Deixem-me em paz! Eu juro que vos mato!!!" - mas as gargalhadas tornam-se ainda mais estridentes e algo agarra-se ao pé de Ash e arrasta-o até se perder de vista, ouvindo-se apenas os seus gritos de desespero! Athertyssen olha para todos os lados, e receia pela segurança dos seus companheiros, e ouve os gritos de terror de Ash e corre o mais depressa que pode na direcção dos gritos. De repente não consegue avançar mais, e repara que está a ser sugado pela terra, desesperadamente tenta libertar-se do seu agressor enterrando a lâmina da espada na terra e só ouve gargalhadas. Rapidamente desaparece...
Sophya acorda junto a um lago coberto de neblina, e arma a sua besta com as mãos a tremer, ao vislumbrar um vulto negro a caminhar sobre a água e a sibilar como uma serpente... ela aponta e dispara a besta, mas o virote perde-se dentro de água e uma força desconhecida projecta-a para dentro do lago, ao mesmo tempo que emerge de lá uma mulher nua. Sophya reconhece Aschka, que a agarra pelos cabelos... e por trás surgem Nayka, Karunka e Ripaka que a dominam e rasgam-lhe a roupa, e seduzem-na sussurando-lhe nos ouvidos, mordendo-lhe a carne e beijando-lhe o corpo todo. E da mesma maneira como surgiram desaparecem... e quando Sophya recobra a presença de espírito volta-se para trás e vê Ash e Athertyssen barbaramente mutilados e amarrados a uma árvore. Alertados pelos gritos vindos do sítio onde eles estavam a dormir, Bulkur, Thy-Sorak e Mankor apressam-se no seu encalço empunhando as suas armas.

Sexta-feira, Fevereiro 16, 2007

RECEIOS ...



No mesmo instante em que sentiram o turbilhão, o turbilhão desaparece, eles estão já no acampamento dos Hodrakons.
Ash cai de joelhos e cheira o solo, com um ar mais aliviado, - "Finalmente estamos livres daquele sítio maldito, sinto como se sufocasse lá dentro!" - que é também partilhado pelos outros, especialmente Sarak - "O que tu dizes faz bastante sentido, Ash... aquele sítio é um foco maligno... estou mais que certo que é ali que irá surgir o Senhor das Sombras... temos que agir com rapidez!", que nem se aguenta em pé.
"Seria prudente irem agora descansar para recuperarem as vossas forças, temos muita coisa para preparar..." - Aconselha Thy-Sorak, que faz sinal a quatro companheiros para os acompanharem. Sufranon observa preocupado enquanto voa para o ombro de Sel-Haczak - "Eu receio que esta missão pode ter sido demasiado arriscada...ao ponto de...", Sel-Haczak reflecte no que o corvo disse e cerra os punhos, talvez partilhando do receio dele - "Achas que elas conseguem fazer isso...Mestre Sufranon?" - "Lembra-te que as quatro não são deste mundo... são demónios ao serviço do Senhor das Sombras... até o Hyraktar as teme, embora não o deixe transparecer... esperemos que eles durmam, e depois teremos que os questionar sobre alguma sensação estranha....", o corvo agora permanece mudo. Sel-Haczak compreende a preocupação e dirige-se para o local onde Sarak convalesce. "Deve ser difícil lidar com isto não é? Sinto que ele é como um filho para ti..." - Sufranon continua mudo, ao que depois responde com uma voz pesarosa: "Sim, é verdade... apesar de ser ele filho daquele maldito, eu tinha um enorme carinho pela mãe dele, e castiguei Hyraktar pelo mal que lhe fez a ela... procurei nunca falar do pai dele com desprezo e raiva, queria que ele fosse um mago puro e alto..." - "E conseguiste..." - Interrompe Sel-Haczak enquanto passam pelos dois sentinelas que guardam os aposentos de Hyraktar, - "Eu por outro lado, não sei se alguma vez o meu pai sentiu isso por mim, não sentia afecto, mas posso afirmar que sentia a confiança do meu pai ao ter-me entregue os seus exércitos. Se ao menos eu pudesse ter evitado que ele tivesse sido assassinado por aquele cão traiçoeiro do Tygramir..." - "Tenho a certeza de que Myrak-Zul sempre teve orgulho em ti, e neste preciso momento tu honras o seu nome..." - Sel-Haczak meneia a cabeça afirmativamente e deixa Sufranon com Sarak, - "Estarei lá fora, Mestre.... vou verificar a moral dos meus soldados e o estado das nossas defesas..." - "Sim... ficarei aqui até que ele se levante, depois falamos." Sufranon grasna e permanece na cabeceira de Sarak e Sel-Haczak abandona a câmara, com as mãos postas nos punhos dos seus alfanges.