segunda-feira, outubro 31, 2005

O SONHO DE SARAK




Sarak mais uma vez envolto na escuridão da sua cela e inconsciente mergulha num sonho perturbador. Ele encontra-se numa planície coberta pelas trevas, ele corre desalmadamente,procura os seus companheiros, procura alertá-los, mas sem se aperceber pisa o vazio e cai. Ele não viu que estava à beira de um precípicio e está quase a esmagar-se contra o solo quando consegue concentrar-se e voa, voa até conseguir ver tudo dali de cima...
Não tem uma luz que o guie, só consegue ouvir vozes e mais vozes, mas já está a ver algo finalmente. Uma fogueira, mas de quem? Ele aproxima-se mais, vê uma árvore...num dos galhos está um corvo, será a alma do seu mestre? O corvo permanece imóvel e sereno como se não o visse, ele precipita-se e toca no corvo...é Sufranon!
Nesse momento, um clarão ofusca-o e grita antes de acordar ressaltado, a suar - "Espero que eles agora saibam o que fazer...que odiosa tarefa eles têm agora!" - e desmaia, exausto. Nesse mesmo instante, vive-se um impasse entre os nómadas e a tribo de Sel-Haczak, - "Nós vimos em paz, aliás venho humildemente pedir o vosso auxílio..." - os guerreiros estranhamente trajados entreolham-se e o líder faz um sinal para que se inicie o diálogo - "Não vieram então da parte do traidor Tygramir...mas têm humanos como companheiros, tal como Tygramir!" - Sel-Haczak faz sinal a Athertyssen para vir a seu lado, no entanto Athertyssen está preocupado com Sufranon que permanece mudo - "Que aconselhas para resolver a questão? Não dizes nada porquê...? - , este coça as penas e aparentando já ter recuperado a presença de espírito olha para ele, - "Parecia um sonho...mas eu tenho a certeza de que Sarak falou comigo agora mesmo, e teremos que nos enfiar no covil das bestas para as matar..." - "Hã? Que dizes? A que te referes?" - Athertyssen está confuso, mas repara no ar impaciente de Sel-Haczak que o chama - "Explicas-me depois, temos que nos justificar perante estes guerreiros." - Athertyssen retribui o gesto e avança até chegar perto dos seus inquiridores. "Humano... podes explicar-nos quando e porque é que humanos e hodrakons passaram a ser companheiros de viagem?" - Athertyssen reconhece o código dos hodrakons nas palavras do líder - "Eu sou Athertyssen, filho de Etharmark! Bem vejo que são fiéis ao princípio de dependerem apenas de vós para seguirem a vossa vida, tal como o guerreiro que está ao meu lado...nós vimos pedir-lhes auxílio para varrer o mal que ameaça Sarttar e que está mais próximo cada dia que passa...mas passo a palavra ao meu companheiro que o direito de resposta para a questão que nos traz aqui cabe a ele, Sel-Haczak, filho de Myrak-Zul!" - Os quatro erguem a cabeça em sinal de reconhecimento ao ouvi-lo - "Filho de um rei justo e valoroso no campo de batalha! Sim...nós conhecemos a tua linhagem, e conhecemos o medalhão que trazes ao pescoço...a vossa causa é nobre, de facto! E contigo vem o rebento do último grande líder dos hodrakons...a quem jurámos lealdade até ao resto das nossas vidas!" - Sufranon permaneceu silencioso no ombro de Athertyssen, até que decide falar - "Estou curioso por saber como conseguiram usar esses poderes mágicos sem que eu vos sentisse? Quem foram os vossos mestres?" - Os quatro entreolham-se e voltam a olhar aparvalhados para o corvo - "Uma alma errante? Que assunto terreno te prende neste mundo?" - com um riso Sufranon esvoaça e posa no ombro do guerreiro desconhecido, - "É uma longa história... agora o mais prudente seria não ficarmos aqui todos especados, porque sei agora como derrotar alguns dos aliados do nosso inimigo comum e temos de pernoitar para clarear as idéias antes de metermo-nos nessa expedição macabra...mas eu repito a pergunta, quem vos ensinou magia que nem eu conheço?" - "Os Valgorns..." - Sem grande espanto Sufranon suspira - "Pois claro..." - decidem então prosseguir a viagem até à misteriosa floresta.

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