terça-feira, setembro 27, 2005

O ENCONTRO DE SARAK E HYRAKTAR



Numa cela imersa na escuridão, Sarak acorda de um sono agitado murmurando os nomes dos seus companheiros, eles estão em apuros, disso não duvida ele. Mas rapidamente recupera a presença de espírito e silencia a sua preocupação, pois não sabe quem poderá estar a escutar.
Desde o dia em que foi surpreendido por Aschka e trazido para as masmorras da fortaleza de Hyraktar, que ali permanece sem comer nem beber, ele tenta levantar-se mas as correntes não ajudam muito, e constata que está preso à fria rocha da parede da cela. Está muito fraco para tentar fazer algum esforço nem se atreve a usar algum feitiço, prefere esperar e recostar-se mais um pouco pois o simples acto de se levantar deixou-o estonteado.
Algum tempo depois, abre-se uma ranhura na porta que deixa entrar um raio de luz, aquela claridade fere-lhe a vista levando-o instintivamente a meter a mão à frente, enquanto ouve umas vozes entusiasmadas e trocistas. Enquanto vai vendo com mais nitidez, surge um par de olhos sedutores e ao mesmo tempo malévolos - "O nosso hóspede já está desperto, irmãs...dormiste bem?" - enquanto fala num tom quase hipnótico e a rir-se as outras acotovelam-se e riem-se - "Deixa-nos ver, Aschka, ao menos diz-nos se é bonito, pois se Hyraktar não encontrar algum uso para ele sempre podemos divertir-nos!" - dito isto todas se riem histericamente, deixando Sarak pensativo quando de repente ouvem passos e rapidamente se calam - "Então o nosso convidado já acordou finalmente? Deixem de o cobiçar, ele vai servir-nos muito bem, porque não vão procurar uns camponeses para os vossos mórbidos caprichos? Vá vão! Aschka permanece aqui por favor..." - dito isto Aschka acena com a cabeça para as irmãs - "Vão...eu já irei ter convosco." - elas fazem uma vénia a Hyraktar e saem dali sem antes retribuir com um olhar frio e distante.
Sarak observa cautelosamente os seus captores, tentando avaliá-los, mas mantém-se silencioso.
Hyraktar acende a tocha no interior da cela e fita Sarak - "O pupilo de Sufranon...sabes eu também fui pupilo dele, o melhor que ele alguma vez teve...eu lembro-me de ti naquele dia em que eu acabei com a vida dele, e vi-te fugir com uma criança nos braços. Devias ter ficado no buraco onde te escondeste, se fosses uma pessoa sensata." - esperando pela reacção de Sarak, ele e Aschka entreolham-se - "Não é de muitas falas pois não? Chamamos uns soldados de Tygramir para o torturar?" - sugere Aschka, constatando que Sarak permanece impávido e sereno - "Não...aqueles animais despedaçavam-no num ápice, não serviriaa os nossos propósitos, não te preocupes...ele saberá ser razoável a bem ou a mal!" - Hyraktar faz as correntes desaparecerem e sem aviso invoca um sopro de vento projectando o seu prisioneiro contra as paredes da cela, e retém-se depois, deixando-o suspenso no ar - "Já viste do que sou capaz, mas não desejo matar-te, eu sei que tens um dom, não deixes que se desperdice...junta-te a nós..." - Sarak está dorido e mal consegue falar depois dos abalos, mas abana a cabeça e suspira - "Nunca! Terás que me matar então..." - Hyraktar ri com sarcasmo - "Tolo! Achas que conseguiste alguma coisa ao esconder de mim o filho de Etharmark? Depressa acabarei com ele, e com todos aqueles que se opõem a mim, e terei o prémio da imortalidade, concedido a mim pelo Senhor das Sombras...quando ele invadir este mundo e encarnar em mim, e todos abraçaremos as trevas!" - Aschka observa o olhar irredutível de Sarak e a determinação de Hyraktar - "O que é certo é que não sabemos onde ele se encontra, os nossos espiões não o sabem, deixemos Sarak viver por agora...os outros tentarão vir procurá-lo, e aí teremos todos os cordeiros reunidos e prontos para a matança..." - Hyraktar concorda com Aschka e liberta Sarak, fazendo-o estatelar-se no chão deixando-o inconsciente, e manda agrilhoá-lo novamente. - "É pena que não te juntes a nós, tinha tantos planos para nós os dois...filho..."

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