Sábado, Maio 30, 2009

A LEI DOS MAIS FORTES


Sentado numa câmara imersa em escuridão, Hyraktar permanece imóvel como que a escutar, perscrutando entre os silêncios.De repente abre os olhos e num esgar de ódio ergue-se e estilhaça o espelho que se encontrava diante dele só com o olhar - "Eu já te subestimei demasiado, irei esmagar-te como se esmaga um insecto!" e dirige-se intempestivamente para o pátio.Nayka e Aschka vão ao seu encontro e fitam-no com alguma impaciência, - "O momento decisivo está cada vez mais próximo... não podes hesitar se queres realmente ser o Eleito... e aí terás o nossa lealdade...antes disso não te seguiremos a lado nenhum, por isso se queres ir contra os rebeldes liderados por Athertyssen, avanças sozinho para a tua morte..." - Hyraktar engole em seco e cada vez mais se sente consumido pela raiva de ter sido ludibriado por Athertyssen e pelos seus supostos aliados Hodrakon, até que por fim concede a si próprio um momento de reflexão - "Compreendo, a vontade do Senhor das Sombras está acima de tudo, preparemo-nos então para o ritual de invocação e a organização do exército." - e abandona o pátio de forma serena. Aschka meneia a cabeça, sob o olhar atento de Nayka, - "É pena... se ele não se conformasse eu teria acabado com a vida miserável dele" - que sente exactamente o mesmo que a sua irmã - "Não vale a pena Aschka, ambas sabemos que ele está desesperado, e que poderá não estar à altura... mas sabemos o que podemos fazer... vamos dormir?" - "Sim, vamos..." - e retiram-se para o seu leito de mão dada, onde aguardam Karunka e Ripaka.Em breve as quatro estão juntas no leito, onde se acariciam umas às outras, beijam-se e mordem-se, e de repente entram em transe e começam a entoar uma oração de invocação e lentamente os seus corpos começam a alterar-se, com as pele macia e os cabelos suaves a darem lugar às escamas e línguas sibilantes! De repente uma esfera de fogo surge no ar, e torna-se uma esfera negra com tentáculos esfumados, as quatro em transe saúdam a bizarra aparição - "A Sombra é a minha visão, para me proteger da cegueira da Luz e para sermos victoriosos entre a destruição.... Senhor.... as tuas filhas pedem pela tua Palavra..." - que permanece imóvel mas que começa a falar, sem se conseguir distinguir de onde vem a voz, que é na verdade muitas vozes em uníssono - "Irão ter sempre refúgio na Sombra todos aqueles que se opuserem à Luz... falai...." - Aschka ergue-se humildemente seguida das suas irmãs e respondem em uníssono, - "Senhor, tememos pela fraqueza do Eleito... e pela sua obsessão..." - ouve-se uma grande silêncio sepulcral, que é quebrado por um silvo - "Previsível... por isso vos enviei também... quando eu descender para este mundo, as quatro tornar-se-ão uma comigo, e mergulharemos este mundo nas sombras... contudo, deixem-no viver até ao ritual...depois desfaçam-se dele, e agora deixo-vos...sinto poderes nas redondezas que estão a tentar escutar-nos..." - e rapidamente se desvanece, deixando-as perplexas."Se fosse ele, saberiamos... este está mais distante... de qualquer das formas, não faz a mínima diferença para nós..." - Sorri Aschka, que se aconchega a Karunka lambendo-lhe os seios.Sufranon permanece imóvel na torre de vigia enquanto Athertyssen e o resto dos seus companheiros repousam - "Previsível de facto... " e voa até a câmara onde Sarak está a dormir, acordando-o com uma bicada na testa - "AH! Que se passa?!" - acordando-o em sobressalto."Mostra-me o Livro Negro das Almas! Temos que procurar rituais nos feitiços de invocação!" - Sarak apressa-se a ir buscar o livro e traz uma vela para alumiar a câmara, enquanto acende o cachimbo - "Isto pode não ser nada, mas talvez consigamos manter o Senhor das Sombras longe daqui e suprimir os invasores! É esse o ritual... vamos ver os passos..." - Sarak transcreve as páginas minuciosamente com Sufranon poisado no seu ombro - "...eclipse... quatro pontos cardeais... quatro elementos... o Eleito... a Pedra da Encarnação... sangue...sangue... não fala nisso....mas... não precisavam do sangue? Eles viram uma cúpula repleta de sangue humano quando te foram salvar.... se não há sacrifício... hmm bem... não importa, temos de invadir a fortaleza antes da cerimónia... que é no eclipse... e a sábia da tribo dos Hodrakons sabe quando isso será! Podemos ir lá agora....que dizes? Hmm? Estás a ouvir?" - passado algum tempo Sarak está de novo a dormir e Sufranon suspira - "Deixa...vou lá eu!"

Sábado, Março 21, 2009

PALAVRAS DIGNAS DE UM REI


Enquanto descem as escadas da torre, Athertyssen vira-se para os seus companheiros com um ar incompleto, - "Eu sinto que tenho de falar para o povo, mas escapam-se-me as palavras, o meu pai decerto teria algo para dizer..." - Sarak coloca-se a seu lado, pondo-lhe a mão no ombro - "Eu lembro-me da primeira vez que ele falou comigo, eu tinha uma mensagem do meu mestre e ele recebeu-me, e apesar da presença dele me intimidar, ele transmitiu-me tranquilidade e falou comigo numa voz gentil... ele mostrou-me que como rei devia ser duro a liderar, mas no entanto também devia ser gentil com todos os seus leais servos, especialmente as crianças. Não te aflijas, está-te no sangue, tu saberás o que dizer!"
Já no pátio da fortaleza, Athertyssen vê o povo todo junto com uma expressão de medo e mau presságio.
"O momento chegou, assim parece... chegou o momento em que não iremos perder a esperança e iremos expulsar os invasores!" - As suas palavras não parecem causar grande entusiasmo entre a multidão, Ash e Bulkur entreolham-se perplexos.
"Mas não somos tão corajosos quando tu, meu príncipe..." - Athertyssen perscruta entre a multidão e vê um jovem rapaz com um ar triste e carrancudo, e então caminha até ele e coloca-lhe a mão no ombro - "Enganas-te, meu amigo... nos tempos que correm, estar vivo é um sinal de coragem! Tu, eu, a tua família, e todos os que aqui estão presentes... nós somos um! Lutaremos juntos e morreremos juntos se tiver que ser!" - As pessoas agora pararam tudo e estão cada vez mais atentas ao que diz Athertyssen - "Eu sou cada um de vós, que é em todos vocês que eu penso todos os dias, enquanto cada vez mais desejo acabar com a ameaça que se avizinha... e todos vocês são eu... vocês tornam possível que eu tenha esperanças... Eu quero conduzi-los à glória, à paz, à serenidade, se vocês o quiserem!" - Antes que pudesse dizer mais alguma coisa, o povo exulta de euforia e grita em uníssono, - "ATHERTYSSEN, O PRÍNCIPE GUERREIRO! VIVA! VIVA! VIVA!" - e os soldados erguem as espadas e as lanças no ar! Sarak sorri, com Sufranon poisado no seu ombro, - "Tal pai, tal filho..." - mas Sufranon permanece em silêncio e murmura algo em tom de suspiro, captando a atenção de Sarak, mas Sufranon decide continuar a falar para não se expor - "Tenho a certeza de que agora qualquer pai terá orgulho nos seus filhos...", deixando Sarak meio confuso - "Hmm, sim, certo..." - e dito isto o silêncio volta a instaurar-se entre a multidão, e Athertyssen nota que se abrem alas e um grupo de serventes liderados por Mankor dirigem-se a Athertyssen, e ajoelham perante ele.
"Meu príncipe, é com orgulho que vejo este dia chegar!" - os serventes abrem os baús com o selo da Casa de Numer, e mostram o seu conteúdo a Athertyssen, que sente o vento a guerrear com as lágrimas que agora lhe caiem dos olhos - "Hoje é um dia muito importante na tua vida...hoje serás coroado Rei!" - limpando-as a custo e observando os sorrisos de esperança da multidão, mas o que mais lhe dá uma sensação calorosa é o sorriso do rapazinho a quem se dirigiu, e retribui-lhe com o seu sorriso.
Agora o silêncio é total, e Mankor e cada servente o ajudam a vestir as vestes reais, e a colocar a armadura, e por fim ele coloca o anel real com o selo da Casa de Numer e sente pela primeira vez o punho da espada do seu pai.
Os soldados formam uma linha, ajoelhando e colocando as suas armas em frente, e vociferando a saudação ao seu rei, - "Meu Rei, as minhas armas estão à tua disposição, não serei digno de as empunhar se não vos puder servir, diz agora as palavras e combaterei até à morte!" - que os manda levantar saudando-os também, - "Erguei-vos, irmãos de armas! Vós sois os mais nobres dos guerreiros de Sarttar, juntos lutaremos pelo povo e pela justiça, contra a escuridão!" - seguindo de uma ovação do povo.
Nessa noite toda a população esqueceu-se da ameaça de Hyraktar e do Senhor das Sombras, apenas se festeja, mas no território sombrio de Hyraktar algo se prepara....

Domingo, Junho 15, 2008

SOB UM SOL NEGRO



Subitamente uma sombra cobre a terra, o sol tornou-se negro, e o terror apodera-se das expressões de todos.
"Depressa, venham todos ver! Isto não pode ser nada de bom!" - As pessoas empurram-se e erguem as mãos para cima como que a pedirem misericórdia. Bulkur mete-se no meio para acalmá-los enquanto Ash e Athertyssen procuram desesperadamente por Sarak, encontram-no na torre de vigia, de pé em cima das muralhas a fitar o horizonte.
"Sarak! Sabes o que se passa?!" - Ele fita-os com um ar pensativo e não esconde a sua preocupação - "Já começou... ele vem aí... o Senhor das Sombras..." - Ash e Athertyssen entreolham-se, esperando algo mais vindo de Sarak. No entanto surge Sufranon e pousa no ombro de Athertyssen. "Meu rapaz, a reacção de Sarak não é para menos, o nosso problema não é um assunto de guerra que se resolva com um exército e determinação, é um problema místico." - Sarak sacode a cabeça e suspira, - "Não há forma de reunirmos um campo mágico suficientemente forte para impedir um demónio do outro mundo de entrar neste mundo... mas a partir do momento em que encontrar um corpo hospedeiro ficará vulnerável, o problema é que será um adversário demasiado poderoso ainda assim..." - Ash olha para o estranho sol que se ergue no céu e reflecte durante um bom bocado. "Deduzo que o melhor a fazer é formar o nosso exército quanto antes, se não estou errado, esse demónio das sombras vai encarnar no nosso inimigo Hyraktar, não é verdade?" - Sufranon e Sarak permanecem mudos, Athertyssen aperta o punho da sua espada e olha para a população, uma massa aterrorizada.
"Chegou o momento não é verdade? Alguém terá que ir acalmar aquela gente toda... eu vou lá, se o meu destino é ser o rei desta terra, tenho que começar a empenhar-me nisso agora." - Ash sorri e segue Athertyssen, enquanto que Sufranon vai investigar as proximidades da fortaleza e Sarak mantém-se na torre de vigia esperando por Sufranon.

Sexta-feira, Outubro 26, 2007

ALGO JÁ ANTES SENTIDO



Os primeiros raios de sol surgem, e todos se levantam para as tarefas usuais do dia-a-dia. Excepto Sarak e Sufranon que estão no cimo das muralhas a observar o horizonte, ambos permanecem em silêncio, mas estão a pensar na mesma coisa. Os seus olhos conseguem ver mais além do que a vista normal alcança, percorrem cada rio, cada bosque, cada caminho, cada comportamento dos animais... mais uma mudança sombria se aproxima, Sufranon já sentiu isto antes e Sarak sente a mesma ansiedade que o seu mestre.
"Mais uma dura provação nos espera, meu rapaz... desta vez, o Sombrio, ele próprio... vem subjugar-nos, o tempo é cada vez mais escasso, mas também não podemos agir antes de tempo...." - Sarak escuta as palavras de Sufranon e concorda com um movimento lento da cabeça, e nesse momento surge Athertyssen que não esperava encontrá-los ali. "É bom ver que estás a melhorar as tuas habilidades... é duro estar a pé tão cedo... mas tu sabes que tem de ser assim. Já resolveste a tua questão com a Sophya?" - Athertyssen hesita um bocado antes de responder, mas permite-se a ele próprio um sorriso - "Sim, já. E tenho pensado bastante desde aí..." - Sarak franze o sobrolho - "Sim....? Sobre o quê?" - Athertyssen não se deixa intimidar pelo olhar inquiridor do seu guardião e responde sem rodeios - "Da minha obrigação para com todos... eu não poderei nunca vacilar nem deixar que as minhas emoções me toldem o pensamento, se o meu destino é derrotar Hyraktar e enviar o Senhor das Sombras para onde pertence....onde quer que isso seja..." - Sufranon estava a ouvir atentamente a conversa e voa do ombro de Sarak para o de Athertyssen - "Falaste bem... mas temos de estar apenas preparados e aguardar... ainda não podemos atrair atenções desnecessárias..." - Sarak reflecte nas palavras de Sufranon e permanece a fitar o horizonte.
Nessa mesma altura, Hyraktar caminha de um lado para o outro a praguejar, até que decide ir ao encontro de Aschka e as suas irmãs e apontar o dedo em fúria - "VOCÊS! O que se passou?! Como é que não conseguiram fazer algo tão elementar como saber onde aqueles vermes estão escondidos? Mas eu tenho que fazer tudo sozinho?!" - nesse momento Aschka fita-o, e provoca-lhe um calafrio na espinha - "É curioso que menciones isso... quando és tu que és incapaz de terminar os TEUS serviços!" - a visão assombrosa do rosto de Aschka é suficiente para o deixar petrificado... já as palavras o deixaram num estado de confusão e dúvida que o começam a atormentar enquanto vê Aschka a colocar uma máscara que lhe oculta a parte queimada do rosto, o que torna a expressão dos seus olhos verdes ainda mais sinistra - "Lembra-te que tu és um fantoche do nosso verdadeiro pai, o Senhor das Sombras! Só te suportamos porque ele vai encarnar em ti para que possa existir neste mundo patético! E se nos fazes perder a paciência.... depressa acabamos contigo e arranjamos outro fantoche... o rapaz que ainda se atreve a resistir-te dava um perfeito não acham, irmãs? Isso sim, seria irónico!" - Aschka e as outras riem-se em tom de chacota, Hyraktar sente-se reduzido à sua insignificância mas mesmo assim ousa levantar a voz - "Parem com a chacota! Eu exijo que me digas que serviço é que deixei a meio!" - Aschka olha-o com desdém e retira a máscara e fita-o com uma expressão ainda mais tenebrosa - "Olha bem para o meu rosto! Quem me fez isto, foi aquele que tu não conseguiste eliminar! Sufranonon!" - Hyraktar não pode acreditar no que ouve - "Não! Eu reduzi-o a cinzas! Estás-me a dizer que um fantasma te feriu?!" - Aschka mantendo a sua postura arrogante acede a elucidá-lo - "Sim... destruiste-lhe o corpo... mas um mago superior como tu não sabia que ele podia fazer um Ritual de Reencarnação antes de morrer?! Sim... ele reencarnou numa ave! E dizes-te tu um mago superior...." - Hyraktar sente o sangue a ferver e não se consegue conter mais - "Cala-te! Isso só é permitido a quem tenha tido o previlégio de ler o Livro Negro das Almas! Que foi roubado por aqueles cães sarnentos, os inúteis dos Hodrakons não o souberam proteger...." - mas nessa altura ele detém-se e fica mudo e incrédulo.
"Que se passa?! Mais alguma descoberta inesperada?!" - questiona Aschka com um tom sarcástico, mas depressa muda o tom quando Hyraktar recupera a presença de espírito e agora é ele que está com um ar sereno e com um gesto da sua mão a faz agarrar à sua cara em agonia e a arrastar-se pelo chão! Sem perder a concentração, com a outra mão paralisa Nayka, Karunka e Ripaka, impedindo-as de o atacarem, e vai falando lentamente para Aschka que grita incontrolavelmente e a única coisa que consegue é fazer com que a máscara lhe caia e se estilhace no chão - "Sabem... o vosso poder é grande, muito grande até! Mas tornaram-se mais fracas... porque se misturaram com a ralé que são os humanos, adquiriram os seus vícios, ficaram mais humanas! Isso é que é a ironia! Eu já fui um deles... agora sou aquilo em que me tornaram... e se voltei cá foi para os eliminar! Não foi para fazer o que eles gostam de fazer... mas eu serei bastante generoso e talvez poupe o rapazinho para que vocês possam fornicá-lo... ou limito-me somente a castrá-lo e a conservar o membro dele! Pronto...Aschka, o mal já foi compensado... agora vou deixar-vos a sós... suas cabras humanas!" - Hyraktar recua e retira-se, largando altas gargalhadas, mas depois pára, pois algo que se lhe atrevessou no pensamento o deixou perturbado, entretanto Nayka e as restantes vão socorrer Aschka que a medo toca na sua cara, mas surpreende-se ao constatar que as queimaduras desapareceram... e pede um espelho para ter a certeza... ela sorri, mas depois o seu olhar torna-se tão azedo que estilhaça o espelho - "Não me voltarás a humilhar... maldito sejas!"

Segunda-feira, Setembro 03, 2007

AMOR E MORTE


Sophya levanta-se do seu leito sem dirigir a palavra a nenhum dos presentes, ficando Athertyssen sentado e com um ar complexo, mas também ele não diz nada. Sarak faz um sinal discreto a Hilla para ir averiguar o que se passou com Sophya, e este por sua vez também sai calmamente com Sufranon pousado no seu ombro, enquanto Bulkur é o único que permanece na divisão em frente de Athertyssen mantendo um ar penetrante mas sereno.
"Jovem príncipe, ajudai-nos a compreender o que acabou de se passar, sinto que se perdeu a harmonia do nosso grupo... contudo não sinto que tenha havido alguma malícia de vossa parte... quereis elucidar-nos?" - Perante estas palavras, Athertyssen suspira e levanta-se e constata que Ash também já está acordado, um bocado enfraquecido...mas está atento à conversa. "Ash... tu viste aquelas criaturas que eram como nós, não viste? Acontece que eu fui seduzido pela réplica da Sophya... e ia-me conseguindo coagir a revelar onde estamos e o mais certo seria morrer depois disso... mas a Sophya salvou-me." - Ash franze o sobrolho, e com a ajuda de Bulkur senta-se a custo na cama - "Sabes... eu e o Bulkur notámos desde o início que além do seu dever de te proteger, ela sentia algo mais...mas ela sempre conseguiu lidar com isso... até porque no passado ela perdeu alguém muito querido... morreu-lhe nos braços... chamava-se Knagaar e dominava com mestria o arc, tal como tu, quando nos conheceste éramos chamados os "três magníficos"... mas na verdade éramos quatro, ele era o quarto elemento." - Athertyssen anda em círculos pela sala sem saber o que dizer e o que fazer e dá um murro na porta - "Caramba... não conseguiram arrancar de nós a localização da nossa fortaleza, mas conseguiram confundir-nos e virar-nos uns contra os outros! Pelo menos um confundiram.... mas que posso eu fazer agora?!" - Ash e Bulkur entreolham-se, e Bulkur encolhe os ombros - "Na verdade não te podemos culpar... mas tens que compreender que és o filho de Etharmark, és aquele que nos vai salvar do Senhor das Sombras, consegues imaginar a responsabilidade que recai sobre nós os três como a tua guarda pessoal? E a Sophya já sofreu muito por não ter conseguido proteger alguém que amava, mas era um de nós, nós que não tememos a morte e que nunca sabemos se vamos sobreviver a cada dia que passa... mas tu, não podes morrer de maneira nenhuma..." - Athertyssen engole em seco e não se permite a si próprio desviar o olhar dos seus companheiros, ele sabe que eles fariam tudo para o proteger, mas não consegue deixar de olhar para eles como seus iguais - "Eu sinto-me honrado por vos ter ao meu lado, mas acham que foi fácil para mim aceitar o meu destino? Eu agora já aprendi a lutar, mas no fundo sou um rapaz... ainda não consigo lidar bem com as minhas emoções... mas isto não pode ficar assim... eu tenho que ir falar com ela..." - Ash e Bulkur concordam - "Sim...será o mais sensato a fazer, poderás não saber ainda lidar com as emoções... mas és firme nas tuas decisões, é uma honra servir-te!" - Athertyssen cora e sai da divisão.
Na parte superior das muralhas, Sophya observa o horizonte com Hilla a seu lado, - "Agora compreendo a tua reacção... mas estás consciente de que isso poderá afectar a harmonia que existe entre nós?" - Sophya suspira dando voltas ao seu punhal, - "Sim... mas eu não o odeio, eu gosto dele sim... mas esse não é o meu posto, a minha devoção por ele estará sempre em primeiro lugar... ele entregou-se a mim sem hesitações... quer dizer... àquela criatura aberrante igual a mim... é disso que eu tenho medo, de deixar as emoções toldarem o raciocínio...." - Hilla vislumbra o céu e sente um silêncio incómodo e olha para trás. Athertyssen está com um ar expectante - "Tia, permites-me falar a sós com a Sophya?" - Hilla passa a mão pelo ombro de Sophya e permite a Athertyssen aproximar-se fazendo-lhe uma vénia e beijando-lhe a mão, - "Confio em ti para resolveres este assunto da melhor maneira, sobrinho." - Athertyssen retribui o beijo e sorri para Hilla, que já se afastou do local. Sophya vira-se para Athertyssen com um olhar carregado e melancólico, e Athertyssen olha para ela durante algum tempo antes de falar, - "Eu já soube da tua perda no passado... sinto muito... mas sabes que o que me traz aqui é outro assunto... eu vi nos teus olhos a decepção..." - Sophya está de braços cruzados com os olhos a vislumbrar o vazio e interrompe Athertyssen, - "Tu não me decepcionaste... apenas fizeste o que eu mais temia, a minha obrigação é ver-te como o futuro rei que eu tenho de proteger, por mais que goste de ti, não me posso permitir a revelar tais sentimentos, só tornam a minha tarefa mais penosa. Se queres saber, eu não te odeio... e sim, sou capaz de te amar, mas não agora nem nestas condições... não me importo de agires como se estivesses entre companheiros, mas peço-te que te retraias e te concentres em conduzir-nos à liberdade, sabes sempre que te irei seguir, mas nada mais que isso, por agora." - Athertyssen não discute a posição de Sophya e acede a deixar Sophya beijar a sua mão para reforçar a sua lealdade. - "Será uma honra servir-te em qualquer local e em qualquer altura..."

Terça-feira, Maio 22, 2007

O FEITIÇO VIRA-SE CONTRA O FEITICEIRO


Athertyssen está quase a ceder ao poder hipnótico da falsa Sophya que ao mesmo tempo o aperta cada vez com mais força entre as suas pernas, até que de repente uma voz irritada surge, - "Oh tu aí... olha para mim!" - Sophya aponta com frieza a sua besta no momento em que a sua réplica larga Athertyssen e solta um grito sibilante aterrador, mas depressa fica muda, pois o projéctil entra-lhe pela boca e sai pelo pescoço. Este impacto afasta a criatura de Athertyssen que ao recuperar imediatamente a presença de espírito consegue alcançar a sua espada e em fúria desferir um golpe devastador, que ele próprio fica espantado. Sophya também observa surpreendida a sua réplica mexer-se cada vez mais lentamente até que pára... e o tronco cai para trás, seguido das pernas, Athertyssen depressa sai da água e apressa a vestir-se sob o olhar sisudo de Sophya.
"Tu e eu temos muito que falar, mas é depois de nos escaparmos disto... mas agora diz-me lá... como é que conseguiste fazer uma investida tão poderosa...?!" - Athertyssen não esconde algum embaraço enquanto limpa a sua espada, mas reconhece que apesar de extraordinário, foi algo que não imaginasse que conseguisse fazer, - "Eu queria mesmo fazer aquilo, cortá-la ao meio... e já reparaste que este sítio em si é também muito estranho? É como se estivéssemos no mundo dos sonhos... e desconfio que sei quem nos está a fazer isso..." - Sophya concorda e sugere que se mantenham juntos para irem procurar Ash. Nesse preciso momento Aschka resmunga - "Malditos... são muito inteligentes.... mas não interessa... estão bem longe do outro!" - e concentra-se no local onde Ash se encontra, mandando para lá os dois usurpadores que ainda não foram descobertos. Sophya e Athertyssen tentam em vão chamar Ash, e receiam chamar a atenção de mais alguma estranha criatura...até que nesse momento um sopro de vento passa por eles . "Não tenham medo... viemos ajudar-vos"- Athertyssen fica radiante de ouvir a voz do seu guardião Sarak, - "Estás bem! O que se passa aqui?" - que lhe explica brevemente o que se passa, - "Estão enclausurados num pesadelo com o intuito de saber a nossa localização.... hipnotizando-os e depois livrando-se de vocês..." - ficando Athertyssen esclarecido - "E como nos vão tirar daqui?!", Sarak ri-se e eles sentem o vento a rodeá-los até desaparecerem num turbilhão. Aschka e Karunka sentem qualquer coisa mas não sabem bem o quê - "Algo de errado se passa! Não interessa... já temos o outro na mão!" - mas regozijam assimm que já têm a visão de Ash a caminhar cuidadosamente sem se aperceber da emboscada dos dois usurpadores, - "Perfeito, agora não tens escapatória possível, e tu mais os teus amigos serão aniquilados depois disto...hmm...mas que...?!" - de repente Aschka esbugalha os olhos e quase fica paralisada, Nayka mete -lhe a mão no braço e repara na expressão vazia nos olhos da sua irmã! Ash também está boquiaberto e ensanguentado, pois no momento em que as criaturas saltaram para cima dele, um sopro de vento empurra-o e ele só vê Athertyssen saltar com a sua espada em riste e cortar ao meio o seu impostor, jorrando sangue por todo o lado, e do nada surge Sufranon que se transforma num pássaro de fogo e fita o falso Ash, e perscruta por ele a mente de Aschka, que continua paralisada e grita histericamente - "Não o podemos deixar saber! NÃO!" - e Sufranon exulta - "Muito interessante... e podes ter a certeza que vou cobrar de ti o que Hyraktar me deve.... Ash, Sophya, Athertyssen... PARA TRÁS!!! " - e eleva-se no ar e lança um feixe de chamas que se abatem sobre o usurpador e o consomem, enquanto a criatura grita desalmadamente e nesse preciso momento Aschka também está a arder mas as irmãs rapidamente anulam as chamas mas não a tempo de lhe evitarem uma marca hedionda no rosto. "Isto não ficará assim! Vamos embora! Para a próxima não terão tanta sorte!!!" - Elas desaparecem e Ash, Sophya e Athertyssen acordam de repente... completamente alucinados, - "Ainda bem que estamos aqui...vivos e inteiros!" - Athertyssen respira fundo e deixa-se cair na cama completamente aliviado.... até olhar para o ar sério de Sophya.... - "Ah pois......"

Terça-feira, Maio 01, 2007

7


Aceitei o desafio das 7 coisas, por parte da Lélé e aqui vai:

7 coisas que faço bem:

- sonhar acordado
- ouvir os outros
- dormir
- observar
- ser paciente
- ver filmes de terror asiáticos
- passar horas e horas a ouvir música

7 coisas que não faço bem ou não sei fazer:

- fazer fretes(a justificação de que apreciam a minha presença não é suficiente)
- cantar(eu gosto de mais dos artistas que ouço para lhes assassinar as canções)
- ser "politicamente correcto" quando me tentam lixar o juízo
- perdoar e esquecer
- dar justificações a quem não mas dá ou não tem moral para isso
- ensinar pessoas que querem a papinha toda feita(irrita-me que as pessoas não pensem um bocado antes de pedir ajuda... eu já mencionei que tenho um feitiozinho lixado por vezes?)
- dar a outra face

7 coisas que me atraem no sexo oposto:

- humor
- independência
- ternura
- cultura
- inteligência
- sensibilidade
- clareza no discurso(sim... eu gosto de mulheres directas, que vão directas ao assunto)

7 coisas que digo frequentemente:

- Foda-se!
- Com essa é que me lixaram!
- Weird shit!
- Sim, e depois?
- Que é isso pá?!(Tipo... qué isse pá?!)
- Dói, não dói?
- Ah pois é....

7 actores/actrizes que admiro:

- Robert de Niro
- Al Pacino
- Christopher Walken
- Jamie Lee Curtis
- Morgan Freeman
- Nicholas Cage
- Jack Nicholson
(há mais mas pronto...)

Pessoas a quem lanço o desafio(se quiserem aceitar):

Angel
Coisalinda
Phobetor
Cogumela

E quem quiser fazer, é bem vindo também ...


P.S. - A história ainda não acabou, ainda falta um bocado... stay tuned