sexta-feira, maio 07, 2010

A DESCOBERTA DE SUFRANON


Deixando Sarak ao seu descanso, Sufranon desloca-se até à câmara onde o Livro Negro é guardado.
"Quem vem lá?" - Sufranon poisa no ombro da nervosa sentinela de lança em riste e graceja - "É bom saber que os nossos irmãos soldados estão sempre vigilantes para que possamos descansar...relaxa irmão, eu vim em paz!" - antes de entrar na câmara guiado pelo jovem guarda.
"Preciso que me folheies o Livro Negro, eu dir-te-ei onde deves parar ou prosseguir..." - O jovem acena com a cabeça e abre o misterioso livro para que o corvo possa ler, - "Mestre, este artefacto vai-nos ajudar a vencer?" - Sufranon nota a expressão apreensiva do soldado e anima-o, - "Vai... mas também poderia ter servido para nos condenar, abençoados sejam os deuses que não permitiram aos seus antigos guardiões a faculdade de compreender as escrituras dos Valgorn e dos Fallati, e ainda bem que não caiu nas mãos de Hyraktar durante todo este tempo... podes avançar mais, mais...mais...pára! É isto!" - o rapaz entra em sobressalto com o entusiasmo de Sufranon mas obedece serenamente.
"Afinal aquilo serve outro propósito, e eles não nos subestimaram de todo, temos de agir quanto antes!" - Dito isto o rapaz estremece e fita o corvo assustado, - "Nada temas irmão! Precisamos de uma vasilha de água..." - Sufranon parece bastante confiante e pede para o conduzir até aos aposentos de Sarak que já ressona pesadamente.
O soldado ainda não está convencido da importância de uma vasilha de água para deslindarem o problema que Sufranon descobriu, ao que Sufranon o esclarece - "De que estás à espera de despejar essa vasilha em cima dele?!"
Um bocado incrédulo, o soldado acena com a cabeça e encharca Sarak que acorda a praguejar para deleite de Sufranon - "Arre! Que vem a ser isto?!" - que fica impávido e sereno perante ele.
"Lamento ter de te acordar, meu rapaz, mas por mais bravo e obediente que seja este soldado, ele não pode fazer muito quando se trata de ler o Livro Negro..." - Sarak fica estupefacto e começa a rir, ambos se dirigem para estudar o livro e riem-se, seguidos do soldado que abana a cabeça e também se ri - "São loucos!"

sábado, maio 30, 2009

A LEI DOS MAIS FORTES


Sentado numa câmara imersa em escuridão, Hyraktar permanece imóvel como que a escutar, perscrutando entre os silêncios.De repente abre os olhos e num esgar de ódio ergue-se e estilhaça o espelho que se encontrava diante dele só com o olhar - "Eu já te subestimei demasiado, irei esmagar-te como se esmaga um insecto!" e dirige-se intempestivamente para o pátio.Nayka e Aschka vão ao seu encontro e fitam-no com alguma impaciência, - "O momento decisivo está cada vez mais próximo... não podes hesitar se queres realmente ser o Eleito... e aí terás o nossa lealdade...antes disso não te seguiremos a lado nenhum, por isso se queres ir contra os rebeldes liderados por Athertyssen, avanças sozinho para a tua morte..." - Hyraktar engole em seco e cada vez mais se sente consumido pela raiva de ter sido ludibriado por Athertyssen e pelos seus supostos aliados Hodrakon, até que por fim concede a si próprio um momento de reflexão - "Compreendo, a vontade do Senhor das Sombras está acima de tudo, preparemo-nos então para o ritual de invocação e a organização do exército." - e abandona o pátio de forma serena. Aschka meneia a cabeça, sob o olhar atento de Nayka, - "É pena... se ele não se conformasse eu teria acabado com a vida miserável dele" - que sente exactamente o mesmo que a sua irmã - "Não vale a pena Aschka, ambas sabemos que ele está desesperado, e que poderá não estar à altura... mas sabemos o que podemos fazer... vamos dormir?" - "Sim, vamos..." - e retiram-se para o seu leito de mão dada, onde aguardam Karunka e Ripaka.Em breve as quatro estão juntas no leito, onde se acariciam umas às outras, beijam-se e mordem-se, e de repente entram em transe e começam a entoar uma oração de invocação e lentamente os seus corpos começam a alterar-se, com as pele macia e os cabelos suaves a darem lugar às escamas e línguas sibilantes! De repente uma esfera de fogo surge no ar, e torna-se uma esfera negra com tentáculos esfumados, as quatro em transe saúdam a bizarra aparição - "A Sombra é a minha visão, para me proteger da cegueira da Luz e para sermos victoriosos entre a destruição.... Senhor.... as tuas filhas pedem pela tua Palavra..." - que permanece imóvel mas que começa a falar, sem se conseguir distinguir de onde vem a voz, que é na verdade muitas vozes em uníssono - "Irão ter sempre refúgio na Sombra todos aqueles que se opuserem à Luz... falai...." - Aschka ergue-se humildemente seguida das suas irmãs e respondem em uníssono, - "Senhor, tememos pela fraqueza do Eleito... e pela sua obsessão..." - ouve-se uma grande silêncio sepulcral, que é quebrado por um silvo - "Previsível... por isso vos enviei também... quando eu descender para este mundo, as quatro tornar-se-ão uma comigo, e mergulharemos este mundo nas sombras... contudo, deixem-no viver até ao ritual...depois desfaçam-se dele, e agora deixo-vos...sinto poderes nas redondezas que estão a tentar escutar-nos..." - e rapidamente se desvanece, deixando-as perplexas."Se fosse ele, saberiamos... este está mais distante... de qualquer das formas, não faz a mínima diferença para nós..." - Sorri Aschka, que se aconchega a Karunka lambendo-lhe os seios.Sufranon permanece imóvel na torre de vigia enquanto Athertyssen e o resto dos seus companheiros repousam - "Previsível de facto... " e voa até a câmara onde Sarak está a dormir, acordando-o com uma bicada na testa - "AH! Que se passa?!" - acordando-o em sobressalto."Mostra-me o Livro Negro das Almas! Temos que procurar rituais nos feitiços de invocação!" - Sarak apressa-se a ir buscar o livro e traz uma vela para alumiar a câmara, enquanto acende o cachimbo - "Isto pode não ser nada, mas talvez consigamos manter o Senhor das Sombras longe daqui e suprimir os invasores! É esse o ritual... vamos ver os passos..." - Sarak transcreve as páginas minuciosamente com Sufranon poisado no seu ombro - "...eclipse... quatro pontos cardeais... quatro elementos... o Eleito... a Pedra da Encarnação... sangue...sangue... não fala nisso....mas... não precisavam do sangue? Eles viram uma cúpula repleta de sangue humano quando te foram salvar.... se não há sacrifício... hmm bem... não importa, temos de invadir a fortaleza antes da cerimónia... que é no eclipse... e a sábia da tribo dos Hodrakons sabe quando isso será! Podemos ir lá agora....que dizes? Hmm? Estás a ouvir?" - passado algum tempo Sarak está de novo a dormir e Sufranon suspira - "Deixa...vou lá eu!"

sábado, março 21, 2009

PALAVRAS DIGNAS DE UM REI


Enquanto descem as escadas da torre, Athertyssen vira-se para os seus companheiros com um ar incompleto, - "Eu sinto que tenho de falar para o povo, mas escapam-se-me as palavras, o meu pai decerto teria algo para dizer..." - Sarak coloca-se a seu lado, pondo-lhe a mão no ombro - "Eu lembro-me da primeira vez que ele falou comigo, eu tinha uma mensagem do meu mestre e ele recebeu-me, e apesar da presença dele me intimidar, ele transmitiu-me tranquilidade e falou comigo numa voz gentil... ele mostrou-me que como rei devia ser duro a liderar, mas no entanto também devia ser gentil com todos os seus leais servos, especialmente as crianças. Não te aflijas, está-te no sangue, tu saberás o que dizer!"
Já no pátio da fortaleza, Athertyssen vê o povo todo junto com uma expressão de medo e mau presságio.
"O momento chegou, assim parece... chegou o momento em que não iremos perder a esperança e iremos expulsar os invasores!" - As suas palavras não parecem causar grande entusiasmo entre a multidão, Ash e Bulkur entreolham-se perplexos.
"Mas não somos tão corajosos quando tu, meu príncipe..." - Athertyssen perscruta entre a multidão e vê um jovem rapaz com um ar triste e carrancudo, e então caminha até ele e coloca-lhe a mão no ombro - "Enganas-te, meu amigo... nos tempos que correm, estar vivo é um sinal de coragem! Tu, eu, a tua família, e todos os que aqui estão presentes... nós somos um! Lutaremos juntos e morreremos juntos se tiver que ser!" - As pessoas agora pararam tudo e estão cada vez mais atentas ao que diz Athertyssen - "Eu sou cada um de vós, que é em todos vocês que eu penso todos os dias, enquanto cada vez mais desejo acabar com a ameaça que se avizinha... e todos vocês são eu... vocês tornam possível que eu tenha esperanças... Eu quero conduzi-los à glória, à paz, à serenidade, se vocês o quiserem!" - Antes que pudesse dizer mais alguma coisa, o povo exulta de euforia e grita em uníssono, - "ATHERTYSSEN, O PRÍNCIPE GUERREIRO! VIVA! VIVA! VIVA!" - e os soldados erguem as espadas e as lanças no ar! Sarak sorri, com Sufranon poisado no seu ombro, - "Tal pai, tal filho..." - mas Sufranon permanece em silêncio e murmura algo em tom de suspiro, captando a atenção de Sarak, mas Sufranon decide continuar a falar para não se expor - "Tenho a certeza de que agora qualquer pai terá orgulho nos seus filhos...", deixando Sarak meio confuso - "Hmm, sim, certo..." - e dito isto o silêncio volta a instaurar-se entre a multidão, e Athertyssen nota que se abrem alas e um grupo de serventes liderados por Mankor dirigem-se a Athertyssen, e ajoelham perante ele.
"Meu príncipe, é com orgulho que vejo este dia chegar!" - os serventes abrem os baús com o selo da Casa de Numer, e mostram o seu conteúdo a Athertyssen, que sente o vento a guerrear com as lágrimas que agora lhe caiem dos olhos - "Hoje é um dia muito importante na tua vida...hoje serás coroado Rei!" - limpando-as a custo e observando os sorrisos de esperança da multidão, mas o que mais lhe dá uma sensação calorosa é o sorriso do rapazinho a quem se dirigiu, e retribui-lhe com o seu sorriso.
Agora o silêncio é total, e Mankor e cada servente o ajudam a vestir as vestes reais, e a colocar a armadura, e por fim ele coloca o anel real com o selo da Casa de Numer e sente pela primeira vez o punho da espada do seu pai.
Os soldados formam uma linha, ajoelhando e colocando as suas armas em frente, e vociferando a saudação ao seu rei, - "Meu Rei, as minhas armas estão à tua disposição, não serei digno de as empunhar se não vos puder servir, diz agora as palavras e combaterei até à morte!" - que os manda levantar saudando-os também, - "Erguei-vos, irmãos de armas! Vós sois os mais nobres dos guerreiros de Sarttar, juntos lutaremos pelo povo e pela justiça, contra a escuridão!" - seguindo de uma ovação do povo.
Nessa noite toda a população esqueceu-se da ameaça de Hyraktar e do Senhor das Sombras, apenas se festeja, mas no território sombrio de Hyraktar algo se prepara....

domingo, junho 15, 2008

SOB UM SOL NEGRO



Subitamente uma sombra cobre a terra, o sol tornou-se negro, e o terror apodera-se das expressões de todos.
"Depressa, venham todos ver! Isto não pode ser nada de bom!" - As pessoas empurram-se e erguem as mãos para cima como que a pedirem misericórdia. Bulkur mete-se no meio para acalmá-los enquanto Ash e Athertyssen procuram desesperadamente por Sarak, encontram-no na torre de vigia, de pé em cima das muralhas a fitar o horizonte.
"Sarak! Sabes o que se passa?!" - Ele fita-os com um ar pensativo e não esconde a sua preocupação - "Já começou... ele vem aí... o Senhor das Sombras..." - Ash e Athertyssen entreolham-se, esperando algo mais vindo de Sarak. No entanto surge Sufranon e pousa no ombro de Athertyssen. "Meu rapaz, a reacção de Sarak não é para menos, o nosso problema não é um assunto de guerra que se resolva com um exército e determinação, é um problema místico." - Sarak sacode a cabeça e suspira, - "Não há forma de reunirmos um campo mágico suficientemente forte para impedir um demónio do outro mundo de entrar neste mundo... mas a partir do momento em que encontrar um corpo hospedeiro ficará vulnerável, o problema é que será um adversário demasiado poderoso ainda assim..." - Ash olha para o estranho sol que se ergue no céu e reflecte durante um bom bocado. "Deduzo que o melhor a fazer é formar o nosso exército quanto antes, se não estou errado, esse demónio das sombras vai encarnar no nosso inimigo Hyraktar, não é verdade?" - Sufranon e Sarak permanecem mudos, Athertyssen aperta o punho da sua espada e olha para a população, uma massa aterrorizada.
"Chegou o momento não é verdade? Alguém terá que ir acalmar aquela gente toda... eu vou lá, se o meu destino é ser o rei desta terra, tenho que começar a empenhar-me nisso agora." - Ash sorri e segue Athertyssen, enquanto que Sufranon vai investigar as proximidades da fortaleza e Sarak mantém-se na torre de vigia esperando por Sufranon.

sexta-feira, outubro 26, 2007

ALGO JÁ ANTES SENTIDO



Os primeiros raios de sol surgem, e todos se levantam para as tarefas usuais do dia-a-dia. Excepto Sarak e Sufranon que estão no cimo das muralhas a observar o horizonte, ambos permanecem em silêncio, mas estão a pensar na mesma coisa. Os seus olhos conseguem ver mais além do que a vista normal alcança, percorrem cada rio, cada bosque, cada caminho, cada comportamento dos animais... mais uma mudança sombria se aproxima, Sufranon já sentiu isto antes e Sarak sente a mesma ansiedade que o seu mestre.
"Mais uma dura provação nos espera, meu rapaz... desta vez, o Sombrio, ele próprio... vem subjugar-nos, o tempo é cada vez mais escasso, mas também não podemos agir antes de tempo...." - Sarak escuta as palavras de Sufranon e concorda com um movimento lento da cabeça, e nesse momento surge Athertyssen que não esperava encontrá-los ali. "É bom ver que estás a melhorar as tuas habilidades... é duro estar a pé tão cedo... mas tu sabes que tem de ser assim. Já resolveste a tua questão com a Sophya?" - Athertyssen hesita um bocado antes de responder, mas permite-se a ele próprio um sorriso - "Sim, já. E tenho pensado bastante desde aí..." - Sarak franze o sobrolho - "Sim....? Sobre o quê?" - Athertyssen não se deixa intimidar pelo olhar inquiridor do seu guardião e responde sem rodeios - "Da minha obrigação para com todos... eu não poderei nunca vacilar nem deixar que as minhas emoções me toldem o pensamento, se o meu destino é derrotar Hyraktar e enviar o Senhor das Sombras para onde pertence....onde quer que isso seja..." - Sufranon estava a ouvir atentamente a conversa e voa do ombro de Sarak para o de Athertyssen - "Falaste bem... mas temos de estar apenas preparados e aguardar... ainda não podemos atrair atenções desnecessárias..." - Sarak reflecte nas palavras de Sufranon e permanece a fitar o horizonte.
Nessa mesma altura, Hyraktar caminha de um lado para o outro a praguejar, até que decide ir ao encontro de Aschka e as suas irmãs e apontar o dedo em fúria - "VOCÊS! O que se passou?! Como é que não conseguiram fazer algo tão elementar como saber onde aqueles vermes estão escondidos? Mas eu tenho que fazer tudo sozinho?!" - nesse momento Aschka fita-o, e provoca-lhe um calafrio na espinha - "É curioso que menciones isso... quando és tu que és incapaz de terminar os TEUS serviços!" - a visão assombrosa do rosto de Aschka é suficiente para o deixar petrificado... já as palavras o deixaram num estado de confusão e dúvida que o começam a atormentar enquanto vê Aschka a colocar uma máscara que lhe oculta a parte queimada do rosto, o que torna a expressão dos seus olhos verdes ainda mais sinistra - "Lembra-te que tu és um fantoche do nosso verdadeiro pai, o Senhor das Sombras! Só te suportamos porque ele vai encarnar em ti para que possa existir neste mundo patético! E se nos fazes perder a paciência.... depressa acabamos contigo e arranjamos outro fantoche... o rapaz que ainda se atreve a resistir-te dava um perfeito não acham, irmãs? Isso sim, seria irónico!" - Aschka e as outras riem-se em tom de chacota, Hyraktar sente-se reduzido à sua insignificância mas mesmo assim ousa levantar a voz - "Parem com a chacota! Eu exijo que me digas que serviço é que deixei a meio!" - Aschka olha-o com desdém e retira a máscara e fita-o com uma expressão ainda mais tenebrosa - "Olha bem para o meu rosto! Quem me fez isto, foi aquele que tu não conseguiste eliminar! Sufranonon!" - Hyraktar não pode acreditar no que ouve - "Não! Eu reduzi-o a cinzas! Estás-me a dizer que um fantasma te feriu?!" - Aschka mantendo a sua postura arrogante acede a elucidá-lo - "Sim... destruiste-lhe o corpo... mas um mago superior como tu não sabia que ele podia fazer um Ritual de Reencarnação antes de morrer?! Sim... ele reencarnou numa ave! E dizes-te tu um mago superior...." - Hyraktar sente o sangue a ferver e não se consegue conter mais - "Cala-te! Isso só é permitido a quem tenha tido o previlégio de ler o Livro Negro das Almas! Que foi roubado por aqueles cães sarnentos, os inúteis dos Hodrakons não o souberam proteger...." - mas nessa altura ele detém-se e fica mudo e incrédulo.
"Que se passa?! Mais alguma descoberta inesperada?!" - questiona Aschka com um tom sarcástico, mas depressa muda o tom quando Hyraktar recupera a presença de espírito e agora é ele que está com um ar sereno e com um gesto da sua mão a faz agarrar à sua cara em agonia e a arrastar-se pelo chão! Sem perder a concentração, com a outra mão paralisa Nayka, Karunka e Ripaka, impedindo-as de o atacarem, e vai falando lentamente para Aschka que grita incontrolavelmente e a única coisa que consegue é fazer com que a máscara lhe caia e se estilhace no chão - "Sabem... o vosso poder é grande, muito grande até! Mas tornaram-se mais fracas... porque se misturaram com a ralé que são os humanos, adquiriram os seus vícios, ficaram mais humanas! Isso é que é a ironia! Eu já fui um deles... agora sou aquilo em que me tornaram... e se voltei cá foi para os eliminar! Não foi para fazer o que eles gostam de fazer... mas eu serei bastante generoso e talvez poupe o rapazinho para que vocês possam fornicá-lo... ou limito-me somente a castrá-lo e a conservar o membro dele! Pronto...Aschka, o mal já foi compensado... agora vou deixar-vos a sós... suas cabras humanas!" - Hyraktar recua e retira-se, largando altas gargalhadas, mas depois pára, pois algo que se lhe atrevessou no pensamento o deixou perturbado, entretanto Nayka e as restantes vão socorrer Aschka que a medo toca na sua cara, mas surpreende-se ao constatar que as queimaduras desapareceram... e pede um espelho para ter a certeza... ela sorri, mas depois o seu olhar torna-se tão azedo que estilhaça o espelho - "Não me voltarás a humilhar... maldito sejas!"

segunda-feira, setembro 03, 2007

AMOR E MORTE


Sophya levanta-se do seu leito sem dirigir a palavra a nenhum dos presentes, ficando Athertyssen sentado e com um ar complexo, mas também ele não diz nada. Sarak faz um sinal discreto a Hilla para ir averiguar o que se passou com Sophya, e este por sua vez também sai calmamente com Sufranon pousado no seu ombro, enquanto Bulkur é o único que permanece na divisão em frente de Athertyssen mantendo um ar penetrante mas sereno.
"Jovem príncipe, ajudai-nos a compreender o que acabou de se passar, sinto que se perdeu a harmonia do nosso grupo... contudo não sinto que tenha havido alguma malícia de vossa parte... quereis elucidar-nos?" - Perante estas palavras, Athertyssen suspira e levanta-se e constata que Ash também já está acordado, um bocado enfraquecido...mas está atento à conversa. "Ash... tu viste aquelas criaturas que eram como nós, não viste? Acontece que eu fui seduzido pela réplica da Sophya... e ia-me conseguindo coagir a revelar onde estamos e o mais certo seria morrer depois disso... mas a Sophya salvou-me." - Ash franze o sobrolho, e com a ajuda de Bulkur senta-se a custo na cama - "Sabes... eu e o Bulkur notámos desde o início que além do seu dever de te proteger, ela sentia algo mais...mas ela sempre conseguiu lidar com isso... até porque no passado ela perdeu alguém muito querido... morreu-lhe nos braços... chamava-se Knagaar e dominava com mestria o arc, tal como tu, quando nos conheceste éramos chamados os "três magníficos"... mas na verdade éramos quatro, ele era o quarto elemento." - Athertyssen anda em círculos pela sala sem saber o que dizer e o que fazer e dá um murro na porta - "Caramba... não conseguiram arrancar de nós a localização da nossa fortaleza, mas conseguiram confundir-nos e virar-nos uns contra os outros! Pelo menos um confundiram.... mas que posso eu fazer agora?!" - Ash e Bulkur entreolham-se, e Bulkur encolhe os ombros - "Na verdade não te podemos culpar... mas tens que compreender que és o filho de Etharmark, és aquele que nos vai salvar do Senhor das Sombras, consegues imaginar a responsabilidade que recai sobre nós os três como a tua guarda pessoal? E a Sophya já sofreu muito por não ter conseguido proteger alguém que amava, mas era um de nós, nós que não tememos a morte e que nunca sabemos se vamos sobreviver a cada dia que passa... mas tu, não podes morrer de maneira nenhuma..." - Athertyssen engole em seco e não se permite a si próprio desviar o olhar dos seus companheiros, ele sabe que eles fariam tudo para o proteger, mas não consegue deixar de olhar para eles como seus iguais - "Eu sinto-me honrado por vos ter ao meu lado, mas acham que foi fácil para mim aceitar o meu destino? Eu agora já aprendi a lutar, mas no fundo sou um rapaz... ainda não consigo lidar bem com as minhas emoções... mas isto não pode ficar assim... eu tenho que ir falar com ela..." - Ash e Bulkur concordam - "Sim...será o mais sensato a fazer, poderás não saber ainda lidar com as emoções... mas és firme nas tuas decisões, é uma honra servir-te!" - Athertyssen cora e sai da divisão.
Na parte superior das muralhas, Sophya observa o horizonte com Hilla a seu lado, - "Agora compreendo a tua reacção... mas estás consciente de que isso poderá afectar a harmonia que existe entre nós?" - Sophya suspira dando voltas ao seu punhal, - "Sim... mas eu não o odeio, eu gosto dele sim... mas esse não é o meu posto, a minha devoção por ele estará sempre em primeiro lugar... ele entregou-se a mim sem hesitações... quer dizer... àquela criatura aberrante igual a mim... é disso que eu tenho medo, de deixar as emoções toldarem o raciocínio...." - Hilla vislumbra o céu e sente um silêncio incómodo e olha para trás. Athertyssen está com um ar expectante - "Tia, permites-me falar a sós com a Sophya?" - Hilla passa a mão pelo ombro de Sophya e permite a Athertyssen aproximar-se fazendo-lhe uma vénia e beijando-lhe a mão, - "Confio em ti para resolveres este assunto da melhor maneira, sobrinho." - Athertyssen retribui o beijo e sorri para Hilla, que já se afastou do local. Sophya vira-se para Athertyssen com um olhar carregado e melancólico, e Athertyssen olha para ela durante algum tempo antes de falar, - "Eu já soube da tua perda no passado... sinto muito... mas sabes que o que me traz aqui é outro assunto... eu vi nos teus olhos a decepção..." - Sophya está de braços cruzados com os olhos a vislumbrar o vazio e interrompe Athertyssen, - "Tu não me decepcionaste... apenas fizeste o que eu mais temia, a minha obrigação é ver-te como o futuro rei que eu tenho de proteger, por mais que goste de ti, não me posso permitir a revelar tais sentimentos, só tornam a minha tarefa mais penosa. Se queres saber, eu não te odeio... e sim, sou capaz de te amar, mas não agora nem nestas condições... não me importo de agires como se estivesses entre companheiros, mas peço-te que te retraias e te concentres em conduzir-nos à liberdade, sabes sempre que te irei seguir, mas nada mais que isso, por agora." - Athertyssen não discute a posição de Sophya e acede a deixar Sophya beijar a sua mão para reforçar a sua lealdade. - "Será uma honra servir-te em qualquer local e em qualquer altura..."

terça-feira, maio 22, 2007

O FEITIÇO VIRA-SE CONTRA O FEITICEIRO


Athertyssen está quase a ceder ao poder hipnótico da falsa Sophya que ao mesmo tempo o aperta cada vez com mais força entre as suas pernas, até que de repente uma voz irritada surge, - "Oh tu aí... olha para mim!" - Sophya aponta com frieza a sua besta no momento em que a sua réplica larga Athertyssen e solta um grito sibilante aterrador, mas depressa fica muda, pois o projéctil entra-lhe pela boca e sai pelo pescoço. Este impacto afasta a criatura de Athertyssen que ao recuperar imediatamente a presença de espírito consegue alcançar a sua espada e em fúria desferir um golpe devastador, que ele próprio fica espantado. Sophya também observa surpreendida a sua réplica mexer-se cada vez mais lentamente até que pára... e o tronco cai para trás, seguido das pernas, Athertyssen depressa sai da água e apressa a vestir-se sob o olhar sisudo de Sophya.
"Tu e eu temos muito que falar, mas é depois de nos escaparmos disto... mas agora diz-me lá... como é que conseguiste fazer uma investida tão poderosa...?!" - Athertyssen não esconde algum embaraço enquanto limpa a sua espada, mas reconhece que apesar de extraordinário, foi algo que não imaginasse que conseguisse fazer, - "Eu queria mesmo fazer aquilo, cortá-la ao meio... e já reparaste que este sítio em si é também muito estranho? É como se estivéssemos no mundo dos sonhos... e desconfio que sei quem nos está a fazer isso..." - Sophya concorda e sugere que se mantenham juntos para irem procurar Ash. Nesse preciso momento Aschka resmunga - "Malditos... são muito inteligentes.... mas não interessa... estão bem longe do outro!" - e concentra-se no local onde Ash se encontra, mandando para lá os dois usurpadores que ainda não foram descobertos. Sophya e Athertyssen tentam em vão chamar Ash, e receiam chamar a atenção de mais alguma estranha criatura...até que nesse momento um sopro de vento passa por eles . "Não tenham medo... viemos ajudar-vos"- Athertyssen fica radiante de ouvir a voz do seu guardião Sarak, - "Estás bem! O que se passa aqui?" - que lhe explica brevemente o que se passa, - "Estão enclausurados num pesadelo com o intuito de saber a nossa localização.... hipnotizando-os e depois livrando-se de vocês..." - ficando Athertyssen esclarecido - "E como nos vão tirar daqui?!", Sarak ri-se e eles sentem o vento a rodeá-los até desaparecerem num turbilhão. Aschka e Karunka sentem qualquer coisa mas não sabem bem o quê - "Algo de errado se passa! Não interessa... já temos o outro na mão!" - mas regozijam assimm que já têm a visão de Ash a caminhar cuidadosamente sem se aperceber da emboscada dos dois usurpadores, - "Perfeito, agora não tens escapatória possível, e tu mais os teus amigos serão aniquilados depois disto...hmm...mas que...?!" - de repente Aschka esbugalha os olhos e quase fica paralisada, Nayka mete -lhe a mão no braço e repara na expressão vazia nos olhos da sua irmã! Ash também está boquiaberto e ensanguentado, pois no momento em que as criaturas saltaram para cima dele, um sopro de vento empurra-o e ele só vê Athertyssen saltar com a sua espada em riste e cortar ao meio o seu impostor, jorrando sangue por todo o lado, e do nada surge Sufranon que se transforma num pássaro de fogo e fita o falso Ash, e perscruta por ele a mente de Aschka, que continua paralisada e grita histericamente - "Não o podemos deixar saber! NÃO!" - e Sufranon exulta - "Muito interessante... e podes ter a certeza que vou cobrar de ti o que Hyraktar me deve.... Ash, Sophya, Athertyssen... PARA TRÁS!!! " - e eleva-se no ar e lança um feixe de chamas que se abatem sobre o usurpador e o consomem, enquanto a criatura grita desalmadamente e nesse preciso momento Aschka também está a arder mas as irmãs rapidamente anulam as chamas mas não a tempo de lhe evitarem uma marca hedionda no rosto. "Isto não ficará assim! Vamos embora! Para a próxima não terão tanta sorte!!!" - Elas desaparecem e Ash, Sophya e Athertyssen acordam de repente... completamente alucinados, - "Ainda bem que estamos aqui...vivos e inteiros!" - Athertyssen respira fundo e deixa-se cair na cama completamente aliviado.... até olhar para o ar sério de Sophya.... - "Ah pois......"

terça-feira, maio 01, 2007

7


Aceitei o desafio das 7 coisas, por parte da Lélé e aqui vai:

7 coisas que faço bem:

- sonhar acordado
- ouvir os outros
- dormir
- observar
- ser paciente
- ver filmes de terror asiáticos
- passar horas e horas a ouvir música

7 coisas que não faço bem ou não sei fazer:

- fazer fretes(a justificação de que apreciam a minha presença não é suficiente)
- cantar(eu gosto de mais dos artistas que ouço para lhes assassinar as canções)
- ser "politicamente correcto" quando me tentam lixar o juízo
- perdoar e esquecer
- dar justificações a quem não mas dá ou não tem moral para isso
- ensinar pessoas que querem a papinha toda feita(irrita-me que as pessoas não pensem um bocado antes de pedir ajuda... eu já mencionei que tenho um feitiozinho lixado por vezes?)
- dar a outra face

7 coisas que me atraem no sexo oposto:

- humor
- independência
- ternura
- cultura
- inteligência
- sensibilidade
- clareza no discurso(sim... eu gosto de mulheres directas, que vão directas ao assunto)

7 coisas que digo frequentemente:

- Foda-se!
- Com essa é que me lixaram!
- Weird shit!
- Sim, e depois?
- Que é isso pá?!(Tipo... qué isse pá?!)
- Dói, não dói?
- Ah pois é....

7 actores/actrizes que admiro:

- Robert de Niro
- Al Pacino
- Christopher Walken
- Jamie Lee Curtis
- Morgan Freeman
- Nicholas Cage
- Jack Nicholson
(há mais mas pronto...)

Pessoas a quem lanço o desafio(se quiserem aceitar):

Angel
Coisalinda
Phobetor
Cogumela

E quem quiser fazer, é bem vindo também ...


P.S. - A história ainda não acabou, ainda falta um bocado... stay tuned

sexta-feira, abril 27, 2007

USURPADORES




Sufranon voa em círculos pela câmara até encontrar um poiso e daí observa as expressões agitadas do rosto de cada um, visivelmente preocupado e ansioso com a recuperação de Sarak - "É preciso que ele recupere as forças rapidamente, temos de as impedir de conseguirem o pior!".
Completamente afastados do que se passa naquela câmara estão Ash, Sophya e Athertyssen, que estão a ser subjugados na ilusão criada por Aschka e as suas irmãs que se divertem a vê-los em pânico.
"Minhas irmãs... estamos quase a descobrir onde se escondem os ratos que se atravem a fazer-nos frente...só temos que ser mais impetuosas com estes três... mas ainda dá tempo para nos divertirmos mais um pouco..." - Aschka com um gesto de mão cria três criaturas que são réplicas perfeitas de Ash, Athertyssen e Sophya, que com um segundo gesto imitam-nos na perfeição e logo se separam e começam a vaguear pela floresta. Neste momento já Sophya recuperou do choque de ter visto Athertyssen e Ash mutilados, pois essa visão desapareceu tão rapidamente como surgiu, e as roupas dela não foram rasgadas nem ela foi violentada pelas suas inimigas...- "Algo de estranho se passa aqui, mas não me consigo lembrar de nada...mas que..." - enquanto pensava, algo despertou os seus sentidos, e com a mão sobre o punho da adaga, gira rapidamente sobre os seus calcanhares e é confrontada consigo própria! Sophya recua incrédula, enquanto a outra limita-se a atacar grunhindo, mas é surpreendida pela destreza de Sophya que esquiva-se habilmente e quebra-lhe o pescoço, deixando depois cair a criatura no chão. "Mas que raio eras tu...? Será que...?!" - Sophya ao pensar no que lhe aconteceu, num ápice vai procurar pelos seus companheiros mas algo lhe prende o pé... afinal a sua usurpadora ainda está viva e nada afectada pelos golpes que sofreu, e num rápido movimento pontapeia Sophya que é projectada contra uma árvore e fica inconsciente. A criatura prepara-se para aniquilá-la erguendo uma pedra suficientemente grande para lhe esmagar o crânio até que ouve gritos mais adiante e resolve deixar Sophya a jazer ali.
Athertyssen grita desalmadamente pelos seus companheiros, até ouvir a voz de Sophya, e corre até a encontrar a tomar banho nua numa lagoa, ficando completamente embaraçado - "Ah...desculpa...eu viro-me para que te possas vestir..." - mas Sophya ri-se e faz-lhe um gesto convidativo - "Não precisas de pedir desculpa, e se viesses descansar para aqui...?". Athertyssen fica surpreendido, mas acede ao convite, despindo-se e entrando lentamente na água fria da lagoa, e Sophya vai logo ao seu encontro, esfregando o seu corpo no dele. Athertyssen está completamente atraído por Sophya e não resiste aos seus encantos, e toma-a nos seus braços e possui-a ali vigorosamente, mas depressa começa a sentir um mal-estar...o mesmo que sentiu quando se submeteu a Aschka na noite em que se infiltraram na masmorra secreta de Hyraktar, e no momento em que recupera a presença de espírito depara com um par de olhos de serpente a questioná-lo sobre tudo o que sabe...e agora já se apercebeu que aquela não é Sophya, mas o olhar concentrado da usurpadora é demasiado forte para que Athertyssen consiga evitar que lhe leia a mente e por mais que tente manter a mente um poço vazio, ela vai ganhando terreno... e com uma força descomunal aprisiona-o entre as suas pernas e solta um guincho estridente que o deixa horrorizado e indefeso!

domingo, março 04, 2007

PRESOS NOS PESADELOS


Entram na câmara brandindo as armas mas rapidamente ficam petrificados de pavor quando vêm os seus corpos suspensos no ar. "Que se passa aqui?!" - questiona Bulkur que olha para todos os lados, enquanto Thy-Sorak olha para os seus corpos suspensos e vira-se para Mankor, - "Mankor, é imperativo que Sufranon esteja aqui o mais rapidamente possível... eu não posso precisar ao certo o que está a causar isto... mas se for o que estou a pensar, podemos estar todos em perigo!" - que concorda e sai de seguida para procurar Sufranon.
Bulkur urra de raiva, pois não compreende o que se passa e sente que a situação está fora do seu alcance, mas o guerreiro hodrakon coloca-lhe a mão no ombro, - "Não temas, meu amigo... tentaremos quebrar este encantamento...." - Bulkur respira fundo e relaxa, mas continua preocupado - "Entendo... mas não é algo que eu possa suportar levemente, diz-me o que eu posso fazer para ajudar!".
Nesse instante entram Hilla e Sufranon, Sufranon olha fixamente para os três ali suspensos e suspira - "Era o que eu temia... e temos tudo contra nós....". Bulkur está cada vez mais impaciente mas antes que diga alguma coisa, Thy-Sorak esclarece-o, - "O que vês agora são os teus amigos num transe profundo... eles estão presos num mundo imaginário, e estão a ser acossados pelas bruxas de Hyraktar.... eles na missão deles, tiveram que se envolver com elas... e aparentemente criou-se involuntariamente um elo espiritual entre eles..." - Bulkur olha para o chão e aperta com força o cabo do seu martelo de guerra, temendo o pior.
Hilla acompanha o desmorecido Bulkur até o leito de Sarak e pede-lhe para os avisar quando ele estiver restabelecido. Bulkur acede, senta-se pensativo e olha para o céu depois de ver Hilla afastar-se para retornar a Sufranon e Thy-Sorak - "Mythezak, zela pelos meus amigos, ó grande deus da guerra... dá-lhes a oportunidade de se escaparem desta sinistra provação, para te honrarem na nossa próxima batalha!".
Sufranon paira por cima de Ash, Athertyssen e Sophya... e volta para baixo, -"Os olhos estão abertos e revirados... elas vão tentar confundi-los, e assustá-los... se o conseguirem saberão onde nós estamos, e será uma questão de tempo para Hyraktar reunir um exército suficientemente poderoso para acabar conosco! O pior disso tudo, é que depois de conseguirem saber o que desejam... acabarão com eles! Precisamos do Sarak... mas no estado em que ele está não conseguimos fazer nada, temos que aguardar... aguentem aí, vocês os três! As vossas vidas estão nas nossas mãos, mas as vidas de todos nós estão nas vossas!"

sábado, fevereiro 24, 2007

PESADELOS


De repente estão numa floresta os três, mas cada um encontra-se sozinho e procura pelos outros.
Ash cambaleia, tropeça nas raízes, e rasteja ofegante mas sempre com a vista nos céus, como se o terror lá habitasse. Sussuros sem corpo percorrem a floresta, acossando cada um deles , que se viram com a arma em punho e com um olhar esgazeado.
"Aaaaash... vem a miiiiiim...." - Ash larga as suas espadas e prostra-se de joelhos a tapar os ouvidos e a soluçar - "NÃO!!! Deixem-me em paz! Eu juro que vos mato!!!" - mas as gargalhadas tornam-se ainda mais estridentes e algo agarra-se ao pé de Ash e arrasta-o até se perder de vista, ouvindo-se apenas os seus gritos de desespero! Athertyssen olha para todos os lados, e receia pela segurança dos seus companheiros, e ouve os gritos de terror de Ash e corre o mais depressa que pode na direcção dos gritos. De repente não consegue avançar mais, e repara que está a ser sugado pela terra, desesperadamente tenta libertar-se do seu agressor enterrando a lâmina da espada na terra e só ouve gargalhadas. Rapidamente desaparece...
Sophya acorda junto a um lago coberto de neblina, e arma a sua besta com as mãos a tremer, ao vislumbrar um vulto negro a caminhar sobre a água e a sibilar como uma serpente... ela aponta e dispara a besta, mas o virote perde-se dentro de água e uma força desconhecida projecta-a para dentro do lago, ao mesmo tempo que emerge de lá uma mulher nua. Sophya reconhece Aschka, que a agarra pelos cabelos... e por trás surgem Nayka, Karunka e Ripaka que a dominam e rasgam-lhe a roupa, e seduzem-na sussurando-lhe nos ouvidos, mordendo-lhe a carne e beijando-lhe o corpo todo. E da mesma maneira como surgiram desaparecem... e quando Sophya recobra a presença de espírito volta-se para trás e vê Ash e Athertyssen barbaramente mutilados e amarrados a uma árvore. Alertados pelos gritos vindos do sítio onde eles estavam a dormir, Bulkur, Thy-Sorak e Mankor apressam-se no seu encalço empunhando as suas armas.

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

RECEIOS ...



No mesmo instante em que sentiram o turbilhão, o turbilhão desaparece, eles estão já no acampamento dos Hodrakons.
Ash cai de joelhos e cheira o solo, com um ar mais aliviado, - "Finalmente estamos livres daquele sítio maldito, sinto como se sufocasse lá dentro!" - que é também partilhado pelos outros, especialmente Sarak - "O que tu dizes faz bastante sentido, Ash... aquele sítio é um foco maligno... estou mais que certo que é ali que irá surgir o Senhor das Sombras... temos que agir com rapidez!", que nem se aguenta em pé.
"Seria prudente irem agora descansar para recuperarem as vossas forças, temos muita coisa para preparar..." - Aconselha Thy-Sorak, que faz sinal a quatro companheiros para os acompanharem. Sufranon observa preocupado enquanto voa para o ombro de Sel-Haczak - "Eu receio que esta missão pode ter sido demasiado arriscada...ao ponto de...", Sel-Haczak reflecte no que o corvo disse e cerra os punhos, talvez partilhando do receio dele - "Achas que elas conseguem fazer isso...Mestre Sufranon?" - "Lembra-te que as quatro não são deste mundo... são demónios ao serviço do Senhor das Sombras... até o Hyraktar as teme, embora não o deixe transparecer... esperemos que eles durmam, e depois teremos que os questionar sobre alguma sensação estranha....", o corvo agora permanece mudo. Sel-Haczak compreende a preocupação e dirige-se para o local onde Sarak convalesce. "Deve ser difícil lidar com isto não é? Sinto que ele é como um filho para ti..." - Sufranon continua mudo, ao que depois responde com uma voz pesarosa: "Sim, é verdade... apesar de ser ele filho daquele maldito, eu tinha um enorme carinho pela mãe dele, e castiguei Hyraktar pelo mal que lhe fez a ela... procurei nunca falar do pai dele com desprezo e raiva, queria que ele fosse um mago puro e alto..." - "E conseguiste..." - Interrompe Sel-Haczak enquanto passam pelos dois sentinelas que guardam os aposentos de Hyraktar, - "Eu por outro lado, não sei se alguma vez o meu pai sentiu isso por mim, não sentia afecto, mas posso afirmar que sentia a confiança do meu pai ao ter-me entregue os seus exércitos. Se ao menos eu pudesse ter evitado que ele tivesse sido assassinado por aquele cão traiçoeiro do Tygramir..." - "Tenho a certeza de que Myrak-Zul sempre teve orgulho em ti, e neste preciso momento tu honras o seu nome..." - Sel-Haczak meneia a cabeça afirmativamente e deixa Sufranon com Sarak, - "Estarei lá fora, Mestre.... vou verificar a moral dos meus soldados e o estado das nossas defesas..." - "Sim... ficarei aqui até que ele se levante, depois falamos." Sufranon grasna e permanece na cabeceira de Sarak e Sel-Haczak abandona a câmara, com as mãos postas nos punhos dos seus alfanges.

sábado, dezembro 02, 2006

A ESPANTOSA FUGA


Rapidamente procuram libertar Sarak das correntes que o prendem, enquanto Ash fica a vigiar o corredor, - "Agora temos de pensar numa forma subtil de sairmos daqui. Pronto, já está solto... Athertyssen, ajuda-o a levantar-se." - Sophya recua para dar espaço a Athertyssen e vai pensando num plano de fuga. Sarak ainda está atordoado pelo acontecimento, -"Foi uma loucura...tu és demasiado valioso para te arriscares desta forma meu príncipe...mas é impossível impedir-te, não é? Tu mostras que és filho do teu pai....mas como vamos sair daqui?" - Ash está cada vez mais inquieto, apertando com mais força o punho da espada, pois está a ouvir muito barulho vindo da masmorra onte estiveram, - "Está ali alguém pouco satisfeito, e não é a voz do Atroz... será o verme?!" - Sarak está com uma expressão pesada e pouco optimista no rosto ao mesmo tempo que meneia a cabeça afirmativamente - "É ele é... agora vamos falar a sério... da mesma forma que entraram aqui sem dar nas vistas, eu suponho que também pensaram na forma de sair...digam-me que sim, por favor!". Athertyssen tem um esgar de ânimo e ri-se, -"É isso! Podemos chamá-los com a tua ajuda, em vez de irmos para o exterior como eles sugeriram! Simplesmente não faças perguntas... perscruta até lá fora...e procura o vento...e chama-o até nós!" - entretanto no outro sítio, Hyraktar está perplexo e irado com a carnificina provocada pelo Atroz que está tranquilamente a tirar os olhos de um cadáver e a comê-los um a um, - "Mas o que te passou pela cabeça para matares os meus soldados?! Eu quando disse que podias ter a carne que quisesses isso não incluía o meu exército!"-, perante o olhar irado e também um pouco receoso de Hyraktar, ele simplesmente ergue-se e limpa o sangue dos seus machados e da sua boca com um bocado de tecido da roupa de um soldado morto e esfrega as mãos, fitando Hyraktar - "Eu estou perfeitamente consciente do nosso acordo, não tenho é culpa que me fossem atacar... os intrusos foram astutos, vinham vestidos como teus soldados e quando eu ia acabar com eles surgiram estes pobres desgraçados e... deu no que deu.... eu tinha que me defender, não achas?!". Hyraktar reconsidera a sua atitude e inspira fundo murmurando para si que quando quer as coisas bem feitas tem de ser ele a fazê-las, mas apercebe-se de algo estranho, - "Eu sinto um vento rápido que vem nesta direcção, aliás ouço-o e parece que passou para o outro lado da porta...bom...vamos lá procurá-los!" - e repara no Atroz que olha para ele num olhar inquisidor e com o seu riso mórbido, - "Que foi agora?" - "Hmm...tu ainda precisas do tal mago? É que se não...eu queria matá-lo e comer-lhe a carne...será que fico com poderes mágicos?!" - o Atroz ri-se ainda mais e bate palmas, desconcertando Hyraktar - "Tu és mais bárbaro do que eu pensava...mas podes fazer dele o que quiseres...já vi que ele prefere morrer a servir-me, então seja!". Enquanto o Atroz pega nos seus dois machados, Hyraktar estica o braço na direcção da porta e cerra o punho fazendo a porta de ferro ceder e partir-se toda... e nesse preciso momento os dois hodrakons surgem de imediato na cela de Sarak, - "Aproximem-se de nós...aqueles dois tontos nem sabem com que cara vão ficar!" - e todos se reduzem a uma rajada de vento que se evade dali passando com tanto força entre o Atroz e Hyraktar que os derruba.
Quando se recompõem, Hyraktar encontra a cela de Sarak vazia e grita de raiva, enquanto o Atroz fica incrédulo, olhando de um lado para o outro.

terça-feira, novembro 28, 2006

SARAK ESTÁ VIVO!



Atento também aos ruídos vindos do corredor, o Atroz mantém a guarda fitando Sophya, Ash e Athertyssen, que ainda está atordoado devido ao poderoso murro que levou. O Atroz solta um riso doentio enquanto cospe a carne que ainda estava a mastigar e pega em outro machado e esboça movimentos de defesa e ataque, mas sem avançar para os três.
"Alto! Que se passa aqui?!" - o capitão da guarda de Hyraktar depara-se com este cenário, e faz sinal aos seus homens para procederem com cautela - "Então tu és o Atroz... que pensas que vais fazer com estes três soldados do nosso corpo de elite?" -, Athertyssen esboça um ar de surpresa que é rapidamente reprimido com um olhar de Ash, - "Nós estávamos na perseguição dos três intrusos e ouvimos ruídos e viémos averiguar...este lunático atacou-nos sem aviso!", o Atroz ri-se ainda mais e cerra bem os punhos quando ergue lentamente os machados, - "A sério?! Eu vou acabar contigo, vigarista miserável... e ai de quem se intrometer!" - o capitão observa e sem aviso carrega contra o Atroz, que com meia-volta apara a investida dele e decapita-o num ápice. O resto da patrulha observa horrorizada e naquele instante dá início uma sangrenta carnificina entre o Atroz e a guarda de Hyraktar, que é aproveitada por Ash, Athertyssen e Sophya para saírem pela outra porta - "Mais uma vez, escapámo-nos de uma morte certa...quem era aquela criatura?!", Athertyssen ainda massajava o queixo, Ash tranca a porta com uma viga de metal, esperando que isso lhes dê algum tempo. "O Atroz como eles lhe chamam, é segundo dizem, o mercenário mais cruel que existe... ninguém sabe de onde ele veio, nem onde ele foi treinado...só se sabe que ele tem um prazer imenso em causar sofrimento aos outros! E sabes qual é a parte mais assustadora? Ele não pede ouro, nem terra, nem nada disso... ele só quer alguns cadáveres para ele...para fazer aquilo que vimos há pouco...mas hoje foi uma ajuda preciosa, mas para a próxima não teremos tanta sorte!", Athertyssen meneia a cabeça deduzindo que só uma pessoa como Hyraktar seria capaz de recorrer a um assassino sem coração para atingir os seus meios, mas recompõe-se e propõe seguirem caminho. Estão agora num corredor iluminado que pelos vistos, segue sempre a direito, Sophya procura possíveis mecanismos de defesa nas paredes e no chão, -"Se este for o caminho que nos conduz a Sarak, é provável que esteja armadilhado..." Athertyssen olha em redor e reflecte um pouco - "Bem...se o tal Atroz veio por aqui...deve ser um caminho sem empecilhos, digo eu... no entanto temos de ser rápidos a agir, não se sabe quanto tempo temos..." - , Sophya concorda e rapidamente conclui que podem continuar. Entretanto, Sarak acorda... vagueia na escuridão e sente os passos de gente e esconde-se num canto escuro da sua cela. Ali fica, a pensar se virá alguém salvá-lo ou se finalmente vão acabar com a vida dele, - "Estou demasiado fraco... uma breve esperança tenho eu de ser salvo...mas como entrariam eles neste sítio maldito? Só espero que seja uma morte rápida..." - o seu pensamento flui naturalmente...ao contrário do seu corpo que parece petrificado, como se estivesse ali pregado. De repente vislumbra três vultos que abrem a porta da cela e entram por ali - "Finalmente te encontrámos! Não digas nada, já te vamos tirar daqui!", a surpresa é devastadora...ele quer falar mas não consegue dizer nada, a emoção dá-lhe uma sonolência que o leva a cair para o lado. "Olha...agora desmaiou...bom, quando acordares pagas-me uma caneca!" -, graceja Ash.

sexta-feira, agosto 25, 2006

O ATROZ



Rapidamente recuperam a presença de espírito quando ouvem ruídos de passos para lá da porta de ferro ao fundo da masmorra. Athertyssen repara na expressão de receio de alguns dos prisioneiros e aproxima-se de uma das celas para falar com o ancião, cujas mãos tremem sem parar - "Diz-me, meu amigo...quem é esse atroz?" - o velhote treme ainda mais perante o olhar surpreso de Athertyssen - "Nunca ninguém lhe viu o rosto... ele não é uma pessoa, é uma máquina de matar sem coração... diz-se que é um mercenário que serve aqueles que possam satisfazer a sua sede de sangue... o ouro não lhe interessa...é um demónio! Todas as pessoas que ele vem aqui buscar nunca mais voltam! Os meus filhos...todos..." - , começa a soluçar e Athertyssen sente-se incapaz de dizer o que quer que seja até que Sophya lhe chama a atenção - "Os guardas de Hyraktar não vinham muito bem armados...no entanto toda a ajuda serve...vamos usar as roupas deles talvez possamos passar despercebidos, e estas armaduras apesar de leves têm alguma resistência..."-, Ash pega em duas espadas e corta o ar com as suas novas armas -"Não são como as minhas companheiras...lá terão de servir...algo me diz que para lá daquela porta avizinham-se grandes sarilhos..."-, Athertyssen e Sophya olham para Ash com um ar preocupado. De repente a pesada porta abre-se rangendo...e eles contemplam a mais bizarra figura...que não ficando surpreendido com a presença deles, solta um grunhido e avança, envolto numa armadura metálica laminada e adornada com picos, empunhando um enorme machado de guerra. Horrorizados constatam que da viseira escorre sangue, e o horror intensifica-se que na outra mão tem um braço que parece que foi arrancado à dentada!
Embora protegidos pela ilusão de que são servos de Hyraktar, sentem-se intimidados com a presença deste ser monstruoso, o que será algo suspeito - "Ah...o nosso senhor mandou-nos no encalço dos inimigos que se infiltraram cá..."-, Athertyssen procura um ar inquiridor, tentando não parecer intimidado enquanto o "Atroz" levanta a viseira do elmo para morder mais um bocado de carne do braço que tem na mão e cospe sangue para o chão -"Hmmm...não vi ninguém...mas era bom variar... já estou farto desta carne..."- e atira o braço para um buraco que conduz a algum fosso de animais...pois logo a seguir ouvem-se rosnadelas e o som de mastigar ossos. Virando-se para uma das celas onde está uma menina chorosa e encostada a um canto ele assobia-"A carne mais tenra é a melhor carne!"-, mas ao preparar-se para abrir a cela, Athertyssen lança um grito encolerizado e lança-se de espada em riste sobre o "Atroz", que sente o frio metal atravessar-lhe o ombro...mas ri-se e dá um murro com as costas da mão na cara de Athertyssen que é projectado contra uma parede, Ash e Sophya ficam aterrorizados com a indiferença do "Atroz" ao seu ferimento! Num movimento rápido ele consegue retirar a espada e virar-se para os três de machado em punho, mas neste momento Athertyssen está inconsciente e do outro lado ouvem-se vozes dos guardas de Hyraktar, e em breve aquele sítio estará pejado deles.

sábado, abril 01, 2006

A MASMORRA SECRETA



Rapidamente percorrem o corredor sabendo que mais cedo ou mais tarde irá ser descoberto o caminho que tomaram. Na sala de sacrifícios, Hyraktar questiona-se sobre os recentes prisioneiros e ao olhar para a parede oposta repara numa tira de tecido presa pendurada. Aproxima-se e retira-a da brecha na parede, cheira o tecido e os seus olhos esbugalham-se e vira-se para os soldados que o acompanham - "Mas é claro! Será que...? Ah mas como ousa aquele rapazinho miserável infiltrar-se nos meus domínios?! Homens! Entrem por esta passagem e tragam-me as cabeças daqueles miseráveis...ou não pensem sequer em aparecerem-me à frente porque serei eu a matar-vos! Agora vão!" .
Athertyssen ouve a passagem a abrir ao fundo e espera o pior - "Já fomos descobertos, provavelmente estamos em desvantagem e só temos estes punhais!"- só que Sophya pára e apaga a sua tocha - "Mas o que fazes?!" - reclama Ash surpreendido, - "Eles esperam que nós fujamos deles...tenho que garantir alguma vantagem para nós...ajuda-me a subir pela parede, eu consigo ficar suspensa neste tecto que tem alguns pontos de apoio, e eu vou colocar-me na rectaguarda deles e vocês vão avançando!" - Sophya sobe para cima usando os ombros de Ash e permanece no tecto e faz-lhes sinal para avançarem , Ash e Athertyssen assim o fazem esperando que a idéia de Sophya resulte - "Esperemos que resulte tem cuidado contigo amiga! Anda rapaz, vamos correr um pouco!".
Parece que resulta, os soldados de Hyraktar assim que ouvem o passo de corrida dos dois, apressam-se também em sua perseguição para não perder de vista a luz das tochas, passando debaixo de Sophya sem darem por nada. Sophya calmamente desce e segue o grupo inimigo discretamente, usando a escuridão como sua aliada. Ash e Athertyssen chegam ao fim do corredor onde dão com uma masmorra iluminada com a fraca luz de lamparinas onde se ouvem murmúrios e lamentos, ambos perscrutam as celas e Ash sugere que se dividam -"Tu vais para este lado eu vou para o outro, com sorte encontramos aqui o Sarak!" - e começam a procurar, as pessoas que lá estão agem como se não vissem ninguém há muito tempo, um velho agarra o braço de Ash do lado de dentro de uma das celas -"Por favor, soltem-me! Eu não quero morrer às mãos daquelas bruxas!" - Ash retribui com um ar sentido, - "Nós sabemos o que elas fazem...mas procuramos um bom amigo nosso que foi capturado, mas prometemos que vos soltaremos também...ele chama-se Sarak." - o velho pestaneja e o seu ar indica que nunca ouviu falar de tal nome -"Forasteiro, eu estou aqui há muito tempo...e sei como todos se chamam, infelizmente o vosso amigo não está aqui...a não ser que seja aquele que está sozinha numa cela para além daquele portão...que é guardado pelo Atroz!" - Ash nota um ar aterrorizado no velho, - "Quem é o Atroz?"- o velho aponta para o portão -"É o pior dos nossos pesadelos...dizem que todos os prisioneiros importantes estão sob a alçada dele... é um monstro sádico!" - Ash fica a pensar nas palavras do velho quando os seus pensamentos são interrompidos de súbito pelo grito do líder dos seus perseguidores - "Alto! Preparem-se para morrer, intrusos! A eles!".
Ash e Athertyssen ficam em sobressalto, mas depois constatam que nada aconteceu e o soldado fica perplexo - "Do que estão à espera seus preguiçosos? O nosso senhor deu-nos ordens claras para acabarmos com eles! Mas que..." - e ao virar-se para trás só tem tempo para ver um rasto de cadáveres no corredor e um vulto a aproximar-se rapidamente e cortar-lhe as goelas. O soldado tomba morto no chão, Athertyssen fica espantado e Ash esboça um sorriso zombeteiro - "Mas porque demoraste tanto tempo?!"

segunda-feira, outubro 31, 2005

A ÍNTIMA LIGAÇÃO DO SEXO COM A MORTE



Numa cela estão Ash, Athertyssen e Sophya, ambos estão pensativos e ansiosos com a conclusão da sua ingrata tarefa. Não muito longe do sítio onde estão, Aschka, Karunka, Nayka e Ripaka estão empenhadas no ritual de sangue, ouvem-se os gemidos de prazer delas e os gritos horripilantes de dor das suas vítimas. "Quero dizer que foi uma má idéia termos aceitado esta coisa de loucos" - refila Ash olhando para fora para a fogueira de cadáveres empilhados, cerrando os olhos e encostando a testa nas frias grades de aço - Athertyssen coloca-lhe a mão no ombro - "Não havia outra maneira...terá que ser assim... hmm? Calem-se, escutem lá..." - Athertyssen refere-se a murmúrios na cela ao lado - "Pobres desgraçados...eu não dou nem um chavo pela vossa pele, se fossem gente de artes mágicas teriam a sorte da pobre alma que está na masmorra lá em baixo, aquelas mulheres também queriam profanar o seu corpo, mas pelos vistos o Hyraktar..." - cospe no chão - "...quer fazer uso dele, ele esteve aqui e foi para as masmorras lá de baixo que são escuras como breu, tanta escuridão mutila a visão e a alma..." - Sophya está silenciosa a examinar as palavras do velho que continua a falar, - "De que falas?" - inquire Sophya - "Falo de um homem que eu reconheci desde que o atiraram para aqui...ele era o guardião do filho do rei Etharmark, lembro-me dele quando era um jovem acólito...e eu estou aqui a apodrecer porque era um soldado leal a Etharmark... preferia que me matassem..." - Athertyssen não está interessado em atrair atenções indesejadas e prefere não dizer nada ao velho. Nesse momento abre-se a pesada porta, e entram seis guardas que os escoltam até uma porta atrás da qual se sente um cheiro intenso de sangue - "Hmm, hmm...a vossa sobremesa chegou, senhoras!" - do outro lado só se ouvem risos até que surge uma voz de lá de dentro, - "Então abram a porta e deixem-nos entrar, e podem ir-se embora..." - um dos guardas abre a porta com uma chave e manda Athertyssen e os seus companheiros entrar, fechando-a depois com um grande estrondo. Os seus corações agora batem desenfreadamente...chegou o momento fulcral, enquanto caminham para a câmara principal reparam em pequenas fissuras no chão de pedra e que convergem num enorme círculo no centro da câmara, onde é vertido o sangue das vítimas...
Quando lá estão deparam com as quatro com abraçadas entre si, brincando entre si e beijando-se em vários sítios do corpo...os gemidos ecoam pela câmara, e Ash, Athertyssen e Sophya sentem-se no entanto atraídos e começam a andar como que dirigidos pelos gemidos, Aschka ergue-se seguida das irmãs quando dão pela presença deles, - "Hmmm, os nossos pequeninos...há ali comida se desejarem comer antes de nos irmos divertir...não temos pressa..." - Sophya acena a cabeça com um sorriso tímido dirigindo-se à mesa onde pega numa taça de vinho, Ash e Athertyssen não fazem idéia do que Sophya tem em mente mas decidem segui-la... - "Que fazes? Isto agora não é hora para comer...temos um trabalho difícil pela frente..." - segreda Ash para que não o ouçam - "Eu sei o que estou a fazer, tenho aqui na fita do cabelo algo para as fazer dormir, vou colocá-las aqui nas taças de vinho que lhes vamos oferecer...e quando elas adormecerem já saberemos o que fazer..." - para não atraírem suspeitas, levam também vinho para si e ajoelham-se numa pose humilde para a oferenda às suas companheiras para esta noite. "Gosto disto, brindemos então, e depois entregaremo-nos ao prazer sem limites!" - dito isto o jogo de sedução começa, Aschka derruba Athertyssen para cima de uma manta de pele, percorrendo todo o seu corpo com a língua ao mesmo tempo que o fita com um olhar hipnótico, até as suas bocas, línguas e sexos se encontrarem, Aschka cavalga-o com um vigor animalesco com o longo cabelo negro a tapar a sua cara, e nunca, mas nunca os seus malditos olhos esverdeados. Ash é subtilmente manipulado por Ripaka, que se senta na sua cara e exulta de prazer enquanto lança para o ar o seu cabelo cor-de-fogo - "Realmente o gato não te comeu a língua...enterra-a bem menino!". Sophya olha resignadamente para os seus companheiros tão facilmente subjugados, mas sente-se também desinibida perante as suas duas amantes e ao mesmo tempo inimigas mortais, deixando Karunka despi-la lentamente enquanto Nayka abraça-a por trás, e beijam-se as duas, Sophya solta depois um gemido quando a língua de Karunka se encontra com a sua carne intacta, e Nayka lhe mordisca os seios sangrando-os ligeiramente. À medida que o tempo passa a respiração das quatro irmãs passa de ofegante a cavernosa, e a pele de suave passa a escamosa...
Gritos horripilantes cortam a atmosfera, para horror de Sophya, Ash e Athertyssen , as quatro transformaram-se em monstros hediondos com línguas negras e bífidas, cantam em uníssono - "A nós o sangue destes mortais! ARRHH..." - no preciso momento em que iam puxar dos punhais a droga fez efeito, e ao mesmo tempo caem desamparadas. "Livrámo-nos por uma unha negra...pffff! Vá vamos lá buscar as nossas roupas e vamos acabar com isto!" - Eles olham para as quatro inertes e preparam-se para dar o golpe final quando ouvem ruído de passos apressados e vozes iradas - "Raios! Para quando algo perfeito?!" - pragueja Ash, notando no entanto num botão na parede, e movido pela curiosidade pressiona o botão abrindo-se uma passagem secreta - "Não temos outra hipótese e deixar o trabalho a meio, lembrem-se que ainda temos de salvar o Sarak" - Athertyssen faz sinal para o seguirem e leva uma tocha para iluminar o caminho, ao entrarem a porta fecha-se sozinha, e depois respiram de alívio quando já se sentem livres do perigo.
VIAJAR COM O VENTO



Feitos os preparativos, Athertyssen, Ash e Sophya estão já vestidos de camponeses - "Sinto-me despido sem as minhas duas espadas...este punhal terá de servir..." - suspira Ash, enquanto Zar-Iruk convoca mais três guerreiros para formarem os pontos cardeais, com eles pelo meio, - "Zar-Iruk..que fazem? Não vamos viajar até lá?" - "Silêncio, bravos guerreiros...deixem-nos concentrar e testemunhem o legado dos Valgorns..." - entoam um cântico e os ventos começam a surgir em volta deles, até que desaparecem por completo. Num instante eles percorrem uma enorme distância envoltos num turbilhão invisível, até darem por si perto de uma pequena povoação perto da fortaleza de Hyraktar - "O que aconteceu aqui?! Hmm...vejam lá se não perderam nada pelo caminho...parece que fomos sugados por um vórtice, a minha cabeça está a andar à roda!" - Ash está atordoado, ele mais os seus companheiros - "Apenas vos tornámos unos com a essência do vento...agora vos deixaremos...quando terminarem a vossa tarefa, chamem-nos e viremos buscá-los, boa sorte e que a morte não queira nada convosco!" - e dito isto os hodrakons desaparecem com o vento. Athertyssen toma a iniciativa de se dirigir para a pequena aldeia enquanto Ash e Sophya o seguem, - "E agora, teremos que arranjar maneira de entrar lá dentro...mas como faremos para estar lá no ritual?" - e eis que surge a resposta ao aparecer um grupo de soldados liderados por Aschka que está a reunir homens e mulheres - "Ei-la...as outras não estão com ela...olhemos para baixo e caminhemos em direcção a eles como se não soubéssemos o que nos espera..." - diz Athertyssen confiante, - "Parece um bom plano...vamos ver onde nos levará..." - replica Ash. Aschka repara nos três que caminham despreocupadamente e de repente está à frente de Athertyssen - "Nunca te vi por aqui...és belo, deixa-me ver-te bem..." - e passa a mão pelas suas pernas enquanto o cheira - "Belo e puro...e os teus amigos também me agradam, mas deixo-os para as minhas irmãs...quero sentir a tua carne..." - Ash e Sophya permanecem mudos, sem repararem que três outras figuras se aproximam por trás - "Ah minhas irmãs, venham ver estes três...o rapazinho é meu, e não admito que me contestem!" - Nayka, Karunka e Ripaka de facto não se opõem a Aschka, e viram-se para Sophya e Ash com um ar deleitado, - "Hmm...somos três e eles são dois, como faremos?" - Ash sente-se tentado a dizer algo mas cala-se - "Que se passa? O gato comeu-te a língua, um homem tão bonito e forte? Acho que gosto deste...Karunka e Nayka que dizem?" - as restantes ficaram até satisfeitas com a escolha de Ripaka, que pelos vistos não se importam de partilhar Sophya entre as duas, estando já divertidas a apalpar Sophya e a mordiscar-lhe os seios - "Bem! Chega de cortejos agora, irmãs...tenho uma sugestão, deixamo-los para o fim, depois de sacrificarmos os outros, e já repararam que há algum tempo que não nos acarinhamos umas às outras?" - todas aprovam a sugestão de Aschka, e deixam-nos ir para o grupo de aldeões para serem acorrentados nas mãos e nos pés. - "Isto é de loucos! Sophya, nunca pensei que fosses assim! Haha!" - Irritada com a piada de Ash, Sophya pisa-lhe o pé, fazendo-o soltar um grito sonoro - "Depois disto estar acabado, vamos ajustar contas! E não quero falar mais disto, está bem?!" - Um soldado aproxima-se a brandir um chicote - "É para andarem, não é para falarem!" - e no momento que vai desferir uma chicotada em Ash, ele pára de repente, tem o braço imobilizado, e mal olha o chicote é uma víbora que investe no seu pescoço derrubando-o em agonia e dor, não muito longe eles vêm Aschka a baixar o braço e a esboçar um sorriso para eles, e vira-se para o chefe dos guardas dando-lhe instruções claras para tratarem dos três. Eles apercebem-se agora que um simples erro com as quatro irmãs será fatal...
A MISSÃO SUICIDA



À medida que entram na floresta, apercebem-se do silêncio esmagador, mas sentem-se todos observados excepto os seus guias que olham para trás e riem-se. "Eu chamo-me Zar-Iruk, e estes são os meus companheiros de patrulha: Thy-Sorak, Lyt-Karun e Var-Takyr. Vou agora explicar como não nos conseguiste sentir, Mestre Sufranon...Os Valgorns ensinaram-nos a sentir a energia dos elementos, e fluir a partir daí...podemos ser vento, como vocês viram, no entanto só sentiram o vento...a nossa essência funde-se com a de um elemento e é isso..."
- Ao chegarem são surpreendidos quando constatam que estão cercados por inúmeros guerreiros, que mantêm-se firmes com as armas empunhadas - "Descansem as vossas armas, irmãos! O dia chegou em que faremos justiça por Myrak-Zul, pois o seu legítimo herdeiro está entre nós! Sel-Haczak vai agora falar..." - e ao ouvirem isto todos se ajoelham perante ele levando-o a um trono que aparentemente nunca foi ocupado, ele começa então a falar - "Finalmente vos encontrei, eu quero fazer o que o meu pai fez em tempos, juntar todas as nossas tribos leais ao nosso código! Eu já sei a verdade da morte do meu pai, e sei quem foi o seu assassino...mas há outro mal que é pior ainda e ameaça acabar com o nosso mundo...o Senhor das Sombras!" - Zar-Iruk fica mudo e petrificado e olha para os seus restantes companheiros que estão no mesmo estado - "Já vi nos vossos olhos que sabem do que falo, os vossos mestres Valgorns concerteza vos falaram nesse demónio...mas...temos aliados de valor, como o filho de Etharmark, e temos algo que os lacaios do demónio não alcançaram...o Livro Negro das Almas!" - Zar-Iruk aproxima-se com um ar preocupado - "Nós te seguiremos, mestre! Mas sabes que existe uma força quase indestrutível na casa daquele a quem chamam o Renegado. Sim...temos estado atentos ao que se passa, o conhecimento partilhado pelos Valgorns fez-nos pensar no bem de todas as coisas vivas... As quatro sacerdotizas formam um dos soldados mais mortíferos das legiões das sombras, o Devorador. De momento só recolhem o sangue necessário à realização do ritual, sangue dos inocentes..." - é neste momento que Sufranon surge interrompendo a conversa - "É precisamente aí que as poderemos aniquilar...foi a mensagem que Sarak me entregou quando tentou libertar o seu espírito para encontrar o meu...é mais fácil encontrar uma alma penada num sonho que outra coisa..." - Athertyssen, Ash, Sophya e Mankor aproximam-se para ouvir a explicação de Sufranon - " O que Sarak me disse foi que elas se juntam em rituais carnais, puras orgias em que se divertem com as vítimas antes de as mutilar e verter-lhes o sangue...sangue humano...o ideal é alguém infiltrar-se num grupo de vítimas e salvar Sarak...dois para ficarem lá com elas e manter o disfarce até as conseguir surpreender e outro para salvar Sarak...e essas três pessoas estão aqui por acaso..." - Ash, Athertyssen e Mankor entreolham-se e ficam incrédulos - "Isso é um bocado arriscado, não?! - Sophya ri-se descontroladamente até que Sufranon esclarece os três - "Mankor, isto é demais para ti, há uns anos atrás talvez...a Sophya é que deve ir com eles os dois..." - Ash dá uma pancadinha no ombro de Mankor - "Pobre capitão...nunca te divertes! Nem sabes a sorte que tens!" - Sophya fulmina Sufranon com o olhar, que permanece sereno nem voa para uma posição mais alta quando Sophya se aproxima com ar de poucos amigos - "Explica-me porque hei-de ir nessa missão suicida?" - "Bem, tu foste treinada para te esconder nas sombras e surgir de onde menos se espera, és tu que irás libertar Sarak, e elas também gostam de mulheres...desculpa meter-te nisto, mas tu és a nossa melhor opção para essa tarefa..." - Sophya nem pestaneja - "Pois seja! Quando partimos?" - Ash acotovela Athertyssen - "Eh! Vamos ver a Sophya nua?! Isto promete!!!" - nem tem tempo de desculpar-se pelo seu gracejo, a única coisa que vê é um punho cerrado enterrar-se na sua face, derrubando-o no chão. "Idiota! E tu livra-te de pensar o mesmo!" - Athertyssen limita-se a abanar a cabeça com um ar embaraçado e a levantar Ash do chão com a ajuda de Mankor - "Bem, vamos lá preparar-vos..." - anuncia Zar-Iruk.
O SONHO DE SARAK




Sarak mais uma vez envolto na escuridão da sua cela e inconsciente mergulha num sonho perturbador. Ele encontra-se numa planície coberta pelas trevas, ele corre desalmadamente,procura os seus companheiros, procura alertá-los, mas sem se aperceber pisa o vazio e cai. Ele não viu que estava à beira de um precípicio e está quase a esmagar-se contra o solo quando consegue concentrar-se e voa, voa até conseguir ver tudo dali de cima...
Não tem uma luz que o guie, só consegue ouvir vozes e mais vozes, mas já está a ver algo finalmente. Uma fogueira, mas de quem? Ele aproxima-se mais, vê uma árvore...num dos galhos está um corvo, será a alma do seu mestre? O corvo permanece imóvel e sereno como se não o visse, ele precipita-se e toca no corvo...é Sufranon!
Nesse momento, um clarão ofusca-o e grita antes de acordar ressaltado, a suar - "Espero que eles agora saibam o que fazer...que odiosa tarefa eles têm agora!" - e desmaia, exausto. Nesse mesmo instante, vive-se um impasse entre os nómadas e a tribo de Sel-Haczak, - "Nós vimos em paz, aliás venho humildemente pedir o vosso auxílio..." - os guerreiros estranhamente trajados entreolham-se e o líder faz um sinal para que se inicie o diálogo - "Não vieram então da parte do traidor Tygramir...mas têm humanos como companheiros, tal como Tygramir!" - Sel-Haczak faz sinal a Athertyssen para vir a seu lado, no entanto Athertyssen está preocupado com Sufranon que permanece mudo - "Que aconselhas para resolver a questão? Não dizes nada porquê...? - , este coça as penas e aparentando já ter recuperado a presença de espírito olha para ele, - "Parecia um sonho...mas eu tenho a certeza de que Sarak falou comigo agora mesmo, e teremos que nos enfiar no covil das bestas para as matar..." - "Hã? Que dizes? A que te referes?" - Athertyssen está confuso, mas repara no ar impaciente de Sel-Haczak que o chama - "Explicas-me depois, temos que nos justificar perante estes guerreiros." - Athertyssen retribui o gesto e avança até chegar perto dos seus inquiridores. "Humano... podes explicar-nos quando e porque é que humanos e hodrakons passaram a ser companheiros de viagem?" - Athertyssen reconhece o código dos hodrakons nas palavras do líder - "Eu sou Athertyssen, filho de Etharmark! Bem vejo que são fiéis ao princípio de dependerem apenas de vós para seguirem a vossa vida, tal como o guerreiro que está ao meu lado...nós vimos pedir-lhes auxílio para varrer o mal que ameaça Sarttar e que está mais próximo cada dia que passa...mas passo a palavra ao meu companheiro que o direito de resposta para a questão que nos traz aqui cabe a ele, Sel-Haczak, filho de Myrak-Zul!" - Os quatro erguem a cabeça em sinal de reconhecimento ao ouvi-lo - "Filho de um rei justo e valoroso no campo de batalha! Sim...nós conhecemos a tua linhagem, e conhecemos o medalhão que trazes ao pescoço...a vossa causa é nobre, de facto! E contigo vem o rebento do último grande líder dos hodrakons...a quem jurámos lealdade até ao resto das nossas vidas!" - Sufranon permaneceu silencioso no ombro de Athertyssen, até que decide falar - "Estou curioso por saber como conseguiram usar esses poderes mágicos sem que eu vos sentisse? Quem foram os vossos mestres?" - Os quatro entreolham-se e voltam a olhar aparvalhados para o corvo - "Uma alma errante? Que assunto terreno te prende neste mundo?" - com um riso Sufranon esvoaça e posa no ombro do guerreiro desconhecido, - "É uma longa história... agora o mais prudente seria não ficarmos aqui todos especados, porque sei agora como derrotar alguns dos aliados do nosso inimigo comum e temos de pernoitar para clarear as idéias antes de metermo-nos nessa expedição macabra...mas eu repito a pergunta, quem vos ensinou magia que nem eu conheço?" - "Os Valgorns..." - Sem grande espanto Sufranon suspira - "Pois claro..." - decidem então prosseguir a viagem até à misteriosa floresta.

terça-feira, setembro 27, 2005

O ENCONTRO DE SARAK E HYRAKTAR



Numa cela imersa na escuridão, Sarak acorda de um sono agitado murmurando os nomes dos seus companheiros, eles estão em apuros, disso não duvida ele. Mas rapidamente recupera a presença de espírito e silencia a sua preocupação, pois não sabe quem poderá estar a escutar.
Desde o dia em que foi surpreendido por Aschka e trazido para as masmorras da fortaleza de Hyraktar, que ali permanece sem comer nem beber, ele tenta levantar-se mas as correntes não ajudam muito, e constata que está preso à fria rocha da parede da cela. Está muito fraco para tentar fazer algum esforço nem se atreve a usar algum feitiço, prefere esperar e recostar-se mais um pouco pois o simples acto de se levantar deixou-o estonteado.
Algum tempo depois, abre-se uma ranhura na porta que deixa entrar um raio de luz, aquela claridade fere-lhe a vista levando-o instintivamente a meter a mão à frente, enquanto ouve umas vozes entusiasmadas e trocistas. Enquanto vai vendo com mais nitidez, surge um par de olhos sedutores e ao mesmo tempo malévolos - "O nosso hóspede já está desperto, irmãs...dormiste bem?" - enquanto fala num tom quase hipnótico e a rir-se as outras acotovelam-se e riem-se - "Deixa-nos ver, Aschka, ao menos diz-nos se é bonito, pois se Hyraktar não encontrar algum uso para ele sempre podemos divertir-nos!" - dito isto todas se riem histericamente, deixando Sarak pensativo quando de repente ouvem passos e rapidamente se calam - "Então o nosso convidado já acordou finalmente? Deixem de o cobiçar, ele vai servir-nos muito bem, porque não vão procurar uns camponeses para os vossos mórbidos caprichos? Vá vão! Aschka permanece aqui por favor..." - dito isto Aschka acena com a cabeça para as irmãs - "Vão...eu já irei ter convosco." - elas fazem uma vénia a Hyraktar e saem dali sem antes retribuir com um olhar frio e distante.
Sarak observa cautelosamente os seus captores, tentando avaliá-los, mas mantém-se silencioso.
Hyraktar acende a tocha no interior da cela e fita Sarak - "O pupilo de Sufranon...sabes eu também fui pupilo dele, o melhor que ele alguma vez teve...eu lembro-me de ti naquele dia em que eu acabei com a vida dele, e vi-te fugir com uma criança nos braços. Devias ter ficado no buraco onde te escondeste, se fosses uma pessoa sensata." - esperando pela reacção de Sarak, ele e Aschka entreolham-se - "Não é de muitas falas pois não? Chamamos uns soldados de Tygramir para o torturar?" - sugere Aschka, constatando que Sarak permanece impávido e sereno - "Não...aqueles animais despedaçavam-no num ápice, não serviriaa os nossos propósitos, não te preocupes...ele saberá ser razoável a bem ou a mal!" - Hyraktar faz as correntes desaparecerem e sem aviso invoca um sopro de vento projectando o seu prisioneiro contra as paredes da cela, e retém-se depois, deixando-o suspenso no ar - "Já viste do que sou capaz, mas não desejo matar-te, eu sei que tens um dom, não deixes que se desperdice...junta-te a nós..." - Sarak está dorido e mal consegue falar depois dos abalos, mas abana a cabeça e suspira - "Nunca! Terás que me matar então..." - Hyraktar ri com sarcasmo - "Tolo! Achas que conseguiste alguma coisa ao esconder de mim o filho de Etharmark? Depressa acabarei com ele, e com todos aqueles que se opõem a mim, e terei o prémio da imortalidade, concedido a mim pelo Senhor das Sombras...quando ele invadir este mundo e encarnar em mim, e todos abraçaremos as trevas!" - Aschka observa o olhar irredutível de Sarak e a determinação de Hyraktar - "O que é certo é que não sabemos onde ele se encontra, os nossos espiões não o sabem, deixemos Sarak viver por agora...os outros tentarão vir procurá-lo, e aí teremos todos os cordeiros reunidos e prontos para a matança..." - Hyraktar concorda com Aschka e liberta Sarak, fazendo-o estatelar-se no chão deixando-o inconsciente, e manda agrilhoá-lo novamente. - "É pena que não te juntes a nós, tinha tantos planos para nós os dois...filho..."

terça-feira, agosto 30, 2005

OS GUERREIROS NÓMADAS


Todos seguem tranquilamente por entre as colinas até avistarem ao longe uma densa vegetação, e todos notam algo de estranho. Sufranon olha em redor e move-se inquieto no ombro de Sel-Haczak - "Não se ouve ruído algum naquela floresta, os meus olhos já perscrutaram o sítio de alto a baixo, mas não encontro nada nem ninguém...nem o vento ouço, é um silêncio de morte, no entanto sinto-me observado, que me podes dizer mais sobre as tribos nómadas?" - Sufranon parecia surpreendido e intrigado, Sel-Haczak também não está muito seguro de si - "Desde que esses guerreiros quebraram todos os vínculos entre o resto das nossas tribos, nunca mais se ouviu falar deles... eles nunca viram com bons olhos a ascensão de Tygramir, já que ele nunca foi fiel aos nossos princípios...mas esse é um assunto que eu quero dar como esquecido depois de o matar!" - nesse instante Sufranon levanta vôo de repente - "Algo aqui está mal, acautelem-se, e preparem-se para o pior!" - Todos olham em volta mas ficam confusos pois tudo parece normal, até que um trovão ribomba no céu fazendo os cavalos entrarem em pânico derrubando alguns dos cavaleiros, ao mesmo tempo que ventos velozes derrubam os que ainda se aguentam nas montadas - "Mas que se passa aqui? Organizem-se, raios!" - vocifera Sel-Haczak com uma mão posta no punho de um dos alfanges, Sufranon conseguiu escapar à massa de caos agora ali presente e grita para Athertyssen - "Aconteça o que acontecer não te separes do Ash e da Sophya, eu vou para junto do Mankor agora" - Athertyssen apesar de surpreendido pelo ocorrido está bastante calmo, até que decide erguer a sua voz e gritar bem alto, deixando todos pasmados, - "EU ATHERTYSSEN, FILHO DE ETHARMARK ORDENO QUE NOS APAREÇAM! TENHAM A DIGNIDADE DE NÃO NOS ACOSSAREM COBARDEMENTE!" - todos entreolham-se e levantam-se e olham em redor pois o céu já clareou e voltou a não se sentir vento algum - "Mas que bruxaria é esta? E porque vocês não foram atacados?" - pergunta Sel-Haczak confuso, mas a resposta à sua pergunta está diante deles. De repente do nada surge um grupo de guerreiros imponentes e envoltos em vestes escuras envergando capuzes, não sendo as armas que empunham eles parecem druidas, um deles avança enquanto os outros se mantêm com os punhos firmes e cerrados nas lanças, e o espanto é total quando ao retirar o capuz todos vêm o rosto de um Hodrakon!

segunda-feira, junho 13, 2005

UMA AJUDA INESPERADA


Enquanto o lacaio de Hyraktar permanece boquiaberto, todos se viram para trás e Ash resmunga iludido pelo acontecimento -"Como se não bastasse isto, ainda vem aí mais alguém para nos alegrar o dia! Mas não faz mal...eu sabia que não iria viver para sempre!" - até que se vira também e num ápice passa de conformado a surpreendido-"Ora esta...se não é aquele que me imita! Nunca pensei vez alguma na minha vida que iria gostar de ver o focinho horrendo de um Hodrakon! HAHAHAHA!"- , do alto da colina vislumbram-se umas bandeiras com as insígnias tribais dos Hodrakon, e à sua frente Sel-Haczak preparara-se para desembainhar os seus dois alfanges, ao mesmo tempo que incita os seus soldados de cavalaria com urros impetuosos e assombrosos, que chegam a fazer os cavalos dos homens de Hyraktar recuarem. Quando a trompa de guerra soa novamente, a cavalaria dos Hodrakon carrega furiosamente sem aviso! O capitão de Hyraktar aponta com ar amedrontado para Sel-Haczak que se aproxima rapidamente- "Mas o que vos deu?! Vocês servem a Hyraktar, bando de cães sarnentos e ingratos!"-, mas não tem tempo de deitar a mão ao punho da espada, e a última coisa a ver é o olhar impiedoso de Sel-Haczak enquanto sente o frio gume de metal a dilacerar-lhe a garganta, saltando-lhe a cabeça do corpo! "Eu sou leal à minha raça e prezo a vida neste mundo, coisa que o nojento do teu dito senhor despreza acima de tudo! Matem-nos a todos por Vygra-Tar! Mas poupem o grupo do rapaz do corvo, da rapariga, do velho e do fanfarrão!"- Athertyssen e os restantes abrigam-se para trás das rochas à entrada da montanha e observam a patrulha de Hyraktar a tombar por terra...e mais tarde sangue e corpos cobrem a terra, excepto um fugitivo que já vai longe - "Maldição, a última coisa que precisamos é de sermos logo expostos...esperem! Quem é que o matou?!"- Sel-Haczak vira-se para trás e repara que Athertyssen guarda o arco com um ar triunfante - "Bravo...és realmente aquele com quem eu conto para varrermos a praga que é Hyraktar e os seus seguidores ... mas temos de nos apressar, temos de cumprir mais uma tarefa, antes de consolidarmos a nossa aliança...alguns cavalos sobreviveram à investida e os donos não se importam que vocês os levem ...partamos quanto antes!"- Athertyssen e os restantes montam a cavalo mas curiosos sobre o que deixa Sel-Haczak tão ansioso. Depois da partida, Ash conversa com Mankor - "Capitão, achas que eu sou fanfarrão?" - Mankor olha para ele com um ar sério, mas sem conseguir evitar um sorriso trocista - "Rapaz...o que é que isso interessa agora? Estamos todos vivos, e tu podes dizer que és um fanfarrão cheio de sorte!" - e solta uma sonora gargalhada deixando Ash amuado - "Hmm...ora muito obrigado!! Quem vos dera a vocês ser como eu!"- mas Sufranon está alheio a isto tudo e voa para o ombro de Sel-Haczak - "Será que vais tentar fazer aquilo que nunca nenhum Hodrakon conseguiu fazer depois do teu pai?" - Sel-Haczak continua a fitar o horizonte mas acena com a cabeça - "É isso, sim...só espero ser merecedor do legado de Myrak-Zul..." - Sufranon não responde e ele também fita o horizonte, enquanto todos seguem silenciosamente o seu caminho.

domingo, maio 08, 2005

UMA PERDA DESCOMUNAL


Ao ver as tropas de Hyraktar a aproximarem-se cada vez mais, Sarak vira-se para Athertyssen e entrega-lhe o livro negro - "Rapaz, tu saberás o que fazer pois Sufranon estará contigo na altura certa e tens o conhecimento que te transmiti, eu sinto que esta ameaça será ultrapassada mas também que vai exigir algo de mim..." - Athertyssen confuso, guarda o livro com relutância na sua bolsa de couro - "Mas como assim, que vais fazer? E como vamos ultrapassar isto, são milhares deles montados a cavalo! Dizes tu que algo vai surgir, mas se o Renegado já te sentiu que diferença fará usares o teu poder para nos ajudares?" - Sarak nem pestaneja e responde calmamente - "Mas é isso que eu tenciono fazer, simplesmente há algo que não sei o que é que me vai acontecer....Bom, chega de conversa, vou equilibrar a balança para o nosso lado!" - piscando o olho a Ash, Sarak ergue a mão direita, profere um cântico e assobia o que faz com que os cavalos dos inimigo se desorientem e fujam. Alguns cavaleiros ficam apeados, outros não têm tanta sorte e são arrastados presos pelos estribos das selas, no entanto algo de estranho se passa, e Mankor repara nisso - "Eles eram mais, onde estão o resto das tropas?! Acautelem-se! Não baixem a guarda!" - , o seu receio confirma-se quando ouve o tenebroso guincho de uma hazya, controlada por Aschka! Sorridente, a bruxa aponta para Sarak - "Obrigado, agora sei quem é aquele que o meu pai procura...vai buscá-lo, meu lindo!" - e a hazya precipita-se sobre Sarak aprisionando-o com as garras e erguendo-se no ar com a missão cumprida - "Hyraktar tem muito para falar contigo, e quanto aos teus companheiros, não precisamos deles, eles irão morrer...." - ergue a mão no ar e surgem o resto das tropas, que já os têm cercados, o fim é agora! Aschka ri-se impiedosamente enquanto voa a alta velocidade de volta para a fortaleza de Hyraktar até se perder de vista. O resto do grupo inspira fundo e prepara-se para uma morte honrosa, até que o som áspero de uma trompeta de guerra rasga o ambiente de conformismo e desespero que os avassala! -"Mas que raio...não pode ser!" - balbucia o capitão do regimento de Hyraktar com os olhos esbugalhados de terror.

sexta-feira, março 11, 2005

A QUEDA DE UM GUERREIRO



Dimuk-Sayr reflecte por um bocado enquanto todos se entreolham e aguardam que ele volte a falar, Sarak nota um ar desmorecido e desgostoso na expressão do velho guerreiro enquanto este ainda se encontra num transe profundo, e de repente ele fala -"A nossa raça expulsou o demónio das sombras há muito tempo, nós eramos sem dúvida, poderosos, mas naquela noite, eu ouvi aquela doce voz que me seduziu...sonhos de grandeza e de poder...quis eu, mas eramos como um todo, sempre nos cingimos à causa de preservar o mundo em que vivíamos... logo era necessário eu ser o único...e caí em tentação, e matei os meus irmãos, e o que ouvi depois foi risos de chacota, e as vozes dos meus irmãos que me perseguiram durante este tempo todo até eu fugir para este buraco..."- todos escutam em silêncio e sentem a agonia de Dimuk-Sayr, Athertyssen pega no seu amuleto e ergue-o em frente do Valgorn -"Mas conseguiste ainda evitar a segunda vaga do Senhor das Sombras, nobre guerreiro, não podes continuar a torturar a tua alma dessa forma, até nós conseguimos sentir pelos teus relatos..."- "Sim, os Falati que antes habitavam esta montanha acolheram-me e eu ensinei-lhes a arte da magia, forjei o amuleto que trazes, filho de Etharmark...sim eu reconeço-te, a linhagem da Casa de Numer foi a mais nobre dos humanos que eu tenho observado durante séculos...mas sei também o que vos trouxe cá...a Runa do Viajante já não existe...com o regresso do inimigo de teu pai, o poder do Senhor das Sombras tornou-se ainda mais forte, deixando-me apático e nem pude intervir na salvação dos meus filhos... eu com muito esforço consegui não vos matar..." -"Porque tu não és nem nunca foste maligno! Já que não temos uma forma fácil de acabar com as filhas de Hyraktar para impedir que formem a besta que ditou a morte da minha mãe, iremos derrotar a besta então! Por favor vem connosco!"- suplica Athertyssen cerrando os punhos e com os olhos raiados de sangue -"Tu serás um grande rei, mas eu não posso arriscar outra vez tirar a vida a quem confiou em mim...e vocês devem partir quanto antes, pois eu já senti os olhos do Renegado virados para aqui...devem confiar nos Hodrakon, para acabar com este reinado de terror, vão já, eu vos saúdo..."- Sarak fica boquiaberto -"O encantamento de luz...ele sentiu-me...eu vejo tropas fiéis a Hyraktar a virem nesta direcção, já não podemos continuar escondidos na sombra...temos de lutar! Mas agora não teríamos hipótese, fujamos!"- Dimuk-Sayr estende o braço enquanto eles se vão embora e a enorme porta de pedra abre-se novamente -"Que os ventos da guerra, o trovão da batalha e a honra não vos abandonem e a morte não queira nada convosco, ide agora! Adeus, bravos!"
Fora da montanha Ash vislumbra o horizonte e os seus olhos esbugalham-se quando vê ao longe uma formação de trezentas ou mais tropas que soam as trombetas e todos notam que além de estarem em desvantagem, a fuga será impossível...

sexta-feira, fevereiro 25, 2005

ENCONTRO COM A MORTE



Enquanto a besta hedionda se aproximava, Sophya dispara uma flecha da sua besta que aloja-se na cabeça da criatura, que lentamente se transformava num gigante - "Mas...ele parece que nem sentiu! Sarak está atento! Ele vai atacar!" - nesse momento o gigante lança-se sobre eles e desfere um murro no solo que abre uma fenda forçando-os a saltar para não caírem. Eis que Sophya salta directa à sua cabeça e puxando das suas adagas crava-lhas no pescoço, e mais uma vez o monstro não demonstrou sinal de dor e agarra-a e lança-a contra uma parede, deixando Sophya inconsciente, o valgorn permanece silencioso mas com um sorriso maléfico - "Não podem matar nem fazer sofrer quem já está morto..."- Ash salta para cima do monstro que prepara-se para acabar com a sua companheira e de espada em riste decepa-lhe o braço-"Pois não...mas posso incapacitá-lo! Ouçam este monte de ossos e carne putrefacta só pode ter sido animado por esse cretino que está aí sentado a troçar de nós...impeçam-no depressa que eu não sei por quanto tempo posso empatar este monte de carne..."-Aterthyssen acena com a cabeça e pegando no arco dispara uma flecha contra o valgorn que parece abstraído da presença do resto do grupo mas assim que a flecha chega a um palmo do ser este agarra-a e parte-a, no mesmo momento o gigante pára e Ash aproveita para esquartejá-lo com as suas duas espadas desta vez - "Ora aqui tens...era só o que me faltava mandarares os bocadinhos de carne atacar-nos agora, não?!".
Nitidamente aborrecido por terem destruído a sua criação, o valgorn desaparece do seu trono e reaparece frente a frente com Ash com um escudo e um martelo de guerra fitando-o e preparando-se para combater-"Ousas desafiar-me, homenzinho? Vais ser esmagado por isso!"- Ash pouco ou nada pode fazer contra tão poderoso adversário e a custo procura esquivar-se do martelo que desbasta as rochas da gruta sempre que falha o corpo de Ash e Sufranon nesse instante voa para Athertyssen- "Rapaz, dá-me o amuleto que tens ao pescoço, depressa!" - Sem hesitar ele dá-lho e o corvo voa o mais rápido que pode até lá, e encontra já Ash estendido no chão com o valgorn a prendê-lo com um pé enquanto erque o martelo para desferir o golpe final!
"Alto! Tu, Dimuk-Sayr, nós não viemos para lutar! Olha para este amuleto, e lembra-te de quem foste antes da maldição do Senhor das Sombras!" - Sufranon coloca-se à frente dele que o fita surpreendido e poisa o martelo, Ash respira de alívio quando Dimuk-Sayr o solta e vai de imediato verificar o estado de Sophya-"Ela está bem...apenas inconsciente, menos mal.".
Dimuk-Sayr olha para Sufranon um bocado intrigado-"Eu já há bastante tempo que evitava povoar os meus pensamentos com esse flagelo...eu por pouco que vos matava...eu já não sei o que eu era antes de ter sido amaldiçoado...mas esse amuleto conheço eu muito bem...fui eu que o fiz"- Sufranon poisa numa rocha enquanto todos se reúnem de volta de Dimuk-Sayr-"Nós sabemos disso, e é por isso que precisamos do teu auxílio, mas o nosso tempo já é escasso..."

sábado, janeiro 01, 2005

O ÚLTIMO VALGORN


Seguindo cautelosamente o misterioso ser que se desloca rapidamente, o grupo organiza-se de forma a prevenirem uma emboscada ficando Sarak, Mankor e Sophya na retaguarda virados de costas para Ash, Athertyssen que seguem em frente, enquanto isso Sufranon continua no ombro de Sarak olhando para todo o lado.
"Eu sinto uma estranha presença...é um mas ao mesmo tempo são uma legião...e sinto que estão a observar-nos neste momento..." - ao dizer isto ouve-se um estranho gemido que vem da câmara onde estiveram anteriormente e constatam horrorizados que a estranha massa de corpos ganha vida e arrasta-se pelo chão atrás deles - "Mas o que é isto?! Será feitiçaria?" - brada Sophya procurando pela besta e pela aljava sem tirar os olhos da bizarra criatura disforme que se aproxima lentamente murmurando palavras ininteligíveis, enquanto Sarak puxa de uma maça de armas e Sufranon voa para a frente para perto de Ash e Athertyssen - "Finalmente estamos perto dele, vamos apanhá-lo!" - avisa Ash para Athertyssen se colocar a postos para interpelarem o fugitivo que está parado e vira-se para eles revelando nada mas escuridão quando olham para a figura encapuçada que solta uma gargalhada de chacota - "Quem és? Fala imediatamente ou acabo já contigo! " - vocifera Ash que surpreende-se ao ver a capa cair no chão e de seguida uma sombra emergir das vestes e flutuar até a sala onde inicialmente se dirigia até chegar a um trono onde toma a forma de um grande guerreiro envolto numa armadura e fitá-los com três pares de olhos e apontar o dedo para a outra criatura - " Aquilo são todos aqueles que ousaram entrar no meu domínio em busca de glória e tesouros, pois sempre foi esse o motivo que atraiu estranhos a esta montanha...mas o que desconheciam é que há muito tempo que este sítio não é mais que o meu cárcere, eu sou o último dos Valgorn, e estou amaldiçoado para sempre...e em breve vocês também... por isso morram!" - dito isto, a outra criatura transforma-se em algo ainda mais bizarro quando da sua massa disforme surgem braços empunhando armas velhas e ferrugentas e avança grunhindo para Sophya e Sarak.

quarta-feira, dezembro 22, 2004

A MORTE ESPREITA


Ao penetrarem na imensa escuridão em fila, todos sentem um mau pressentimento. "Isto é silencioso como um túmulo..." - murmura Ash tentando vislumbrar o caminho, e mantendo uma mão no punho de uma das suas espadas e a tocha na outra. De repente ouvem-se uns ruídos de pedras a cair atrás deles e quando todos se viram a enorme porta de pedra fecha-se com um estrondo que possivelmente terá acordado a montanha.
Sophya estica o pescoço para a frente e cheira o ar e instintivamente olha para cima ao que horrorizada chama os seus companheiros - "Olhem para cima! É horrível" - todos erguem as tochas para tentarem alcançar com a fraca luminosidade das tochas o achado de Sophya, uma amálgama de sangue, vísceras, ossos cravados nas rochas - "Não são só homens que estão ali, vejo também outras criaturas...mas que lhes terá acontecido?" - Sufranon esteve sempre silencioso desde a entrada e finalmente fala - "Isto significa que ou saímos daqui com aquilo que viemos procurar ou teremos a mesma sorte destes infelizes..." - e dito isto todos sentem algo estranho, os indícios são diferentes mas apontam para o mesmo...o eriçar dos cabelos da nuca, uma comichão na mão que empunha a espada, qualquer um deles indica que alguém os espera e sabe que ali estão. Sarak cria um encantamento que ilumina a câmara onde se encontram e vêm pegadas negras que levam a uma saída e vislumbram uma sombra a afastar-se pelo corredor - "Vejam! Está ali algo ou alguém, vamos depressa mas com cautela!" - aconselha Ash que liberto da tocha já se sente mais seguro ao sentir nas mãos as duas velhas e fiéis companheiras...

quarta-feira, novembro 03, 2004

A MISTERIOSA MONTANHA


Antes de surgirem os primeiros raios de sol, todos estão acordados e retomam o caminho mas desta vez com mais vigor, pois já estão perto do seu destino. Deparam com a mística montanha de Faya-Syr, e numa das paredes da montanha encontram um estranho símbolo com inscrições por debaixo. Sophya procura por uma entrada secreta enquanto Ash e Mankor perscrutam a região que os rodeia - "Isto está calmo, demasiado calmo para o meu gosto..." - Diz Ash com as mãos sempre assentes nos punhos das suas duas fiéis companheiras, Mankor concorda e mete a mão no ombro de Athertyssen - "Olhos bem abertos, rapaz...estamos em terrenos desconhecidos..." - Athertyssen olha à volta com um ar sereno, mas não deixa de estar um pouco nervoso - "Esta montanha parece que está viva...sinto-me observado de todos os lados..." - Sufranon coça as penas mas no entanto parece tranquilo. Sarak olha para as inscrições, franze o sobrolho e olha para Sufranon poisado no seu ombro - "Tu previas que isto fosse possível, mestre?" - Sufranon quebra o silêncio - "Sim e não...todos pensávamos que os Valgorns tivessem desaparecido, no entanto não se sabia ao certo o que teria acontecido ao seu líder...sinto que ele no entanto tentou redimir-se, mas ele não deixou de estar amaldiçoado por si mesmo...por isso devemos prever alguma influência maligna dele, pelo que deveremos agir com cuidado..." - Sarak pestaneja baralhado - "Redimir-se? Como poderemos averiguar..." - Athertyssen toma a rédea da conversa ainda mais esclarecido que o seu guardião - "Os Falati...foram criados por ele...este amuleto que trago foi ele que o forjou, foi ele que criou a Irmandade da Runa Sagrada...agora vejo com clareza porque temos que acabar com o Senhor das Sombras o mais depressa possível!" - Sarak fica pasmado mas orgulhoso em reconhecer no olhar de Athertyssen o mesmo carisma que via em Etharmark - "Agora sim, tu estás preparado para enfrentar o teu destino!" - Ash de braços cruzados e com um ar impaciente questiona-se sobre a estranha inscrição, Sarak depressa esclarece o resto do grupo com um ar pouco optimista - "Aqui está escrito: ...Ajudar-te-ei a cumprires o teu destino se provares ser digno...se fores vazio e vil arrastar-te-ei comigo na minha agonia eterna!" - Todos ficam boquiabertos, e no entanto abre-se uma entrada em frente deles, onde só se vê densa escuridão, levando-os a olhar para Sophya com um ar inquiridor, ao que Sophya fica perplexa -"Não fui eu...Bom,temos que entrar não é?" - Cada um faz uma tocha e entram um a um dentro da montanha...

sexta-feira, outubro 01, 2004

OS NOBRES GUERREIROS


Todos dormem excepto Athertyssen e Sufranon, estando o primeiro a fitar o fogo compenetradamente. Sufranon esvoaça para um galho de uma árvore e interpõe-se entre o luar e Athertyssen e olha para ele - "O que te incomoda, meu jovem príncipe? Vejo muitas perguntas na tua mente..." - Athertyssen levanta o olhar serenamente e esboça um ar inquiridor - "Eu não fazia idéia de que já outros tinham feito frente ao Senhor das Sombras..." - Sufranon coloca-se ao lado de Athertyssen - "O Senhor das Sombras vive num mundo paralelo mas completamente diferente, as trevas reinam completamente nesse mundo povoado por demónios, e onde o vácuo acaba por consumir tudo e todos...até o próprio Senhor das Trevas está sujeito a isso, por isso ele tem tentado em vão dominar este mundo, para que vá atrasando o dia em que o vácuo o engula, mas sempre que domina um habitante que seja deste mundo o portal estará sempre aberto... pensávamos que o teu pai ao derrotar Marakhtyr tinha conseguido selar o portal...mas desta vez o Senhor das Sombras conseguiu iludir-nos ao tentar Hyraktar em vez de tentar o teu pai, que foi acompanhado por mim...e agora estamos nesta encruzilhada para tentar salvar o nosso mundo mais uma vez. Os Valgorns eram parecidos com os homens no aspecto e mais aguerridos que os Hodrakons no combate, e tinham o poder de se transformarem em gigantes quando era preciso defenderem-se, eles mataram-se uns aos outros como sabes...Mais tarde surgimos nós que formámos uma aliança com os Falati, que nos ensinaram a arte da magia, agora tu és a nossa esperança...agora dorme que temos ainda um longo caminho a percorrer amanhã..." - Dito isto Athertyssen assente afirmativamente deixando Sufranon a fazer a sua vigília.